Não conheço nenhum país desenvolvido do mundo que não tenha chegado onde chegou que não seja pela educação. Aliás, este é um problema crônico do Brasil, tendo em vista os pouquíssimos investimentos destinados a este setor, bem como o conceito errôneo que temos sobre educação.
Aqui no Brasil temos em mente que o simples fato de enviarmos nossos filhos para a escola já o estamos educando. Conceito este totalmente ultrapassado e retrógrado, pois a escola não tem a função de formar as pessoas e sim de instruí-las com o conhecimento, preparando-as para o enfrentamento da vida. A escola pode também funcionar como complemento da educação comportamental, pois nunca é demais aprendermos as boas maneiras e o caminho idôneo das coisas. Na minha modesta opinião, acredito que podemos dividir a educação em três etapas: na primeira, podemos assim chamar de Educação Comportamental, que é aquela na qual os pais têm papel fundamental, é aquela educação que só se aprende em casa, é a famosa e saudosa “educação de berço”.
É nesta etapa que formamos o nosso caráter, nossa moral, nossa ética e aprendemos o respeito que devemos ter uns com os outros. Esta só aprendemos em casa, e deem graças a Deus aqueles que têm em casa pais comprometidos e capazes de educarem seus filhos desta forma. A segunda podemos chamar de Educação Literária, que é aquela na qual a escola tem papel preponderante e fundamental, pois é nesta etapa que nossos filhos serão apresentados aos conhecimentos através dos livros educativos, bem como receberão a orientação fundamental de seus mestres, os professores.
Professores estes que há tempos vêm cada vez mais sendo desvalorizados e pouco reconhecidos pelos governantes. Precisamos valorizar mais nossos profissionais da educação. No Japão, professor tem tanta importância que é a única categoria de profissionais que não precisa se curvar ante o imperador, fazendo-o apenas de forma espontânea se assim o desejar. E, finalmente, a terceira etapa é a Educação Prática, que é aquela na qual após a aquisição da educação comportamental e literária, a pessoa, ou melhor dizendo, aqui já quase um cidadão ou uma cidadã, estarão prontos para enfrentar os desafios da vida, adquirindo e trocando experiências.
Aqui na vida prática, acompanhada do comportamento ético e moral, do caráter e do respeito bem como do conhecimento, é que teremos o verdadeiro cidadão ou cidadã. Este, sim, capaz de discernir o certo e o errado, o bem e o mal. Ainda no contexto educacional, no Brasil precisamos acabar com o estigma de que fazer fila nas escolas com os alunos para cantarem o Hino Nacional e o Hino da Bandeira não são atitudes ditatoriais e sim uma demonstração de patriotismo e respeito às instituições, aos brasileiros e ao país. Tenho saudades dos tempos que fazíamos isso na escola. Havia um tempo em que alguns pais de colegas de classe pediam transferência de seus filhos da escola pública devido não conseguirem aprovações e repetirem de ano.
Cansei de ver colegas dizendo que iriam para escolas particulares porque lá era só pagar que passavam. Velhos e bons tempos da escola pública. Tenho formação em escolas públicas e sou defensor ferrenho do retorno na grade curricular de matérias como OSPB - Organização Social e Política Brasileira, EMC - Educação Moral e Cívica, TA - Técnicas Agrícolas, etc... Defendo ainda que a partir do ensino fundamental sejam incluídas matérias como IED - Introdução ao Estudo do Direito, assim como estudo básico e gradativo sobre nossa Constituição Federal.
Temos que ensinar desde sempre aos nossos filhos o que é certo e o que é errado, que eles têm direitos, mas também têm obrigações. Só assim, através de uma reforma profunda na educação com a participação de todos, poderemos dizer que somos uma nação culta, forte e educada. Educação é o caminho para a solução de qualquer problema. Sempre!