| Malavolta Jr. |
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| Driele não sabe o que fará para alimentar a pequena Ester |
Nesta sexta-feira (20), vence a validade de uma das últimas latas do leite especial que é a base da alimentação do pequeno Lucas, de 3 meses. Além dele, outras dezenas de crianças em Bauru dependem do Neocate, receitado pela maioria dos médicos para crianças e bebês alérgicos à proteína do leite. Mas o produto, que é fornecido pelo Estado, está em falta há pelo menos dois meses na cidade e não há previsão para normalização do problema.
Mesmo vencido, o leite continuará sendo consumido por Lucas. É porque é uma das últimas latas que ainda restam das doações que sua mãe conseguiu por meio da Internet.
“Não tenho o que fazer. Ele teve que desmamar porque também tem intolerância ao meu leite. Deixar meu filho passar fome é que não vou! A lata custa R$ 205,00, não temos dinheiro”, reclama Fabiana Carvalho Silva, 34 anos, desempregada e moradora do Jardim Tangarás.
Partilha do mesmo drama a família da pequena Ester Nunes, de 8 meses. “A última remessa pegamos no Hospital Estadual no início de março e o leite deu até o fim do mês. Estou dependendo de doações para não ter que cortar de vez os ‘tetês’ da minha filha”, reclama a mãe, Driele Nunes, de 28 anos.
Para ser fornecido, o leite em questão depende de receita médica. Segundo as famílias, a marca Neocate seria a única fornecida pelo Estado, que alega seguir a recomendação conforme a maioria dos pediatras.
Sem escolha, um grupo de mães, que também depende do leite, se uniu por meio de uma rede social, da qual Driele e Fabiana participam. “Uma acaba ajudando a outra com doações. Mas ninguém mais tem”, pontua Driele.
Na Justiça
Questionada, a Secretaria de Estado da Saúde disse que está impedida de realizar nova compra do Neocate. “A empresa Nutriport Comercial Ltda., uma das fornecedoras, vem barrando o processo na Justiça, e impedindo que os estoques sejam normalizados”, diz a pasta.
Atualmente a pasta aguarda decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre o recurso impetrado pela empresa ou que autorize a pasta a realizar, ao menos, compra emergencial do produto.
Solicitar substituição
Como alternativas ao Neocate, o Estado orienta a substituição da prescrição médica para o leite Aptamil e o Pregomin, ambos com o abastecimento normalizado. “Nenhuma das fórmulas faz parte da lista definida pelo Ministério da Saúde para distribuição na rede pública. O Estado de São Paulo fornece o produto voluntariamente, por iniciativa própria e com recursos exclusivos do tesouro estadual”, finaliza a pasta.
Serviço
Para ajudar o Lucas, o telefone é o (14) 99744-1158 (Fabiana). Já quem quiser ajudar a Ester, pode ligar no (14) 98177-2062 (Driele).
