Economia & Negócios

Durante a crise, trabalhador aplica mais

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Embora o desemprego esteja em alta e a crise, sem previsão de chegar ao fim, as pessoas que conseguiram se manter no trabalho passaram a investir mais, segundo dados da Delegacia da Receita Federal em Bauru, que abrange 45 municípios da região. Aplicações, tais como fundos e títulos de renda fixa, tiveram aumento de 36,5% entre o primeiro trimestre deste ano e o de 2015.

Para se ter uma ideia, nos três primeiros meses do ano passado, o Fisco arrecadou R$ 4.819.294,00 de todo e qualquer tipo de aplicação financeira. Já no primeiro trimestre de 2016, foram angariados R$ 6.576.197,00, um aumento de 36,5% em relação ao ano anterior. Delegado adjunto da Delegacia da Receita Federal em Bauru, Luiz Carlos Aparecido Anézio explica que os trabalhadores passaram a poupar diante da crise.

Ao invés de comprar itens considerados supérfluos em tempos de “vacas magras”, as pessoas preferem poupar o que sobra do salário. Inclusive, o rendimento também apresentou aumento entre o primeiro trimestre deste ano e o de 2015, já que o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) dos trabalhadores passou de R$ 50.481.934,00 para R$ 57.914.445,00, uma elevação de 14,7%.

Anézio constata que as pessoas que mantiveram seus empregos passaram a ganhar um pouco mais, principalmente, por conta do reajuste salarial anual. “Ao invés de gastar com itens considerados supérfluos, os trabalhadores estão optando por aplicá-lo em fundos e títulos de renda fixa, por exemplo”, argumenta.

Conforme o JC adiantou em reportagem do dia 9 de março deste ano, a alta da inflação e a consequente queda da atratividade da caderneta de poupança estão levando um número cada vez maior de pessoas a buscar formas mais rentáveis de investimento. Ainda conservador e sem disposição para correr riscos, este público tem optado por aplicações de renda fixa, que oferecem juros próximos ao dobro do conferido pela poupança.

Previdência

Outro item que teve saldo positivo na arrecadação da Delegacia da Receita Federal em Bauru foi a contribuição previdenciária. No primeiro trimestre do ano anterior, o órgão angariou R$ 472.266.014,00 em 45 municípios da região. No mesmo período de 2016, foram R$ 504.963.448,00, uma alta de 6,9%. “Isso também é uma consequência do reajuste do salário dos trabalhadores, que passaram a contribuir mais para a previdência”, defende.

Contudo, o economista Mauro Gallo enxerga de forma diversa. “Há dois fatores que podem ter influenciado a elevação da arrecadação previdenciária na região de Bauru: a melhora na fiscalização - depois que a Receita Federal passou a controlar esse aspecto - e os acúmulos provenientes das indenizações aos trabalhadores que foram demitidos, já que há recolhimento de previdência sobre o chamado acerto”, explica.

De forma geral...

No total, a Delegacia da Receita Federal em Bauru arrecadou R$ 1.018,6 bilhão nos primeiros três meses deste ano, 1,9% a menos do que no mesmo período de 2015, cujo valor chegou a R$ 1.038,4 bilhão.
A queda foi desencadeada pela receita fazendária, ou seja, pelos impostos, já que a arrecadação previdenciária apresentou elevação de 6,9%. “É uma consequência. Quando o faturamento das empresas é menor, os impostos também caem”, justifica o economista Mauro Gallo.

Arrecadação na indústria teve alta

Ainda segundo os indicadores de arrecadação da Receita Federal em Bauru, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com exceção ao de fumo, bebidas e automóveis, teve alta de 16,1%, se comparado o primeiro trimestre deste ano com o de 2015. No mesmo período do ano anterior, o órgão angariou R$ 27.262.377,00, contra os R$ 31.646.305,00 de 2016.

Todavia, o lucro de todas as empresas da região, incluindo as do setor industrial, teve queda de 23%. Já o faturamento caiu 3,1%. “As indústrias estão trabalhando com margem de lucro menor e tentando se manter sem que haja demissões em massa”, analisa o delegado Luiz Anézio, que acompanha as 55 maiores empresas da região.

Quem se surpreendeu foi o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Rubens Passos. “Nossos indicadores demonstram que a produção caiu nos últimos 24 meses”. Porém, ele aventa a possibilidade de que os setores que puxaram essa elevação sejam os que exportam, porque o mercado doméstico não é capaz de acolher toda a produção.

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