Filiado ao PT desde 1995, o professor de História Carlos D’Incao lançou sua pré-candidatura à Prefeitura de Bauru na manhã de ontem, com as bênçãos da vice-prefeita Estela Almagro, que rompeu com o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) nesta semana.
O convite da legenda foi motivado pelas posições públicas do mais novo postulante ao Palácio das Cerejeiras no combate ao impeachment de Dilma Rousseff, o qual ele chama de golpe, e na defesa do partido da presidente da República que, segundo ele, é alvo de uma “colossal perseguição política”.
O professor, que já não leciona no Colégio D’Incao há algum tempo nem atua em sua direção, segundo a escola, de fato tem se destacado em embates pelas redes sociais e por meio das tribunas livres do JC.
“Com muita alegria, descobrimos que se tratava de um antigo militante do partido, que reúne os elementos para dialogar com os mais amplos setores da nossa sociedade em busca da consolidação de um projeto inovador e progressista para Bauru”, avalia Estela.
ARGUMENTOS
D’Incao acredita que a rejeição ao PT, verificada junto à maioria do eleitorado e maximizada após os recentes desdobramentos da Operação Lava Jato, será revertida em semanas, conforme a população passe a sofrer com as primeiras medidas do governo interino de Michel Temer (PMDB).
“O partido já teve a aprovação de 90% e é muita falta de perspectiva histórica achar que essa baixa popularidade vá perdurar”. Ainda sobre o assunto, o prefeitável afirma que, dentre as agremiações políticas relevantes no País, o PT é a que tem menos indivíduos envolvidos em irregularidades.
“99% [dos filiados que ocupam cargos públicos] não são nem nunca foram acusados de nenhum crime político. Os partidos mais corruptos do Brasil, segundo a própria Justiça, são o DEM, o PSDB e o PMDB [...], que conspiram cotidianamente contra a democracia e contra o povo brasileiro”, aponta.
Contra a maré
Carlos D’Incao também abordou questões municipais durante entrevista coletiva e em carta dirigida ao Partido dos Trabalhadores, na qual tece duras críticas à gestão Rodrigo Agostinho, destacando gargalos, como os congestionamentos no trânsito, deficiências no saneamento básico, na destinação do lixo e a falta d’água. “São problemas que se estendem da periferia até a zona Sul”.
O prefeitável sinaliza ainda que nadará contra a maré ao refutar propostas defendidas por todos os virtuais adversários já colocados na corrida pré-eleitoral.
“Defendem cortes no orçamento, a terceirização do serviço público, a institucionalização das escandalosas e sempre desvantajosas PPPs e a privatização de nossas últimas riquezas, entre elas o DAE”, criticou.
Questionado sobre as alternativas para promover os investimentos necessários em diversos setores sem as parcerias com a iniciativa privada diante da escassez de recursos públicos, D’Incao respondeu que os demais pré-candidatos pensam num orçamento estático. “Eles têm uma visão estática do orçamento. Não têm política para o desenvolvimento do município. Se for seguir essa lógica, a cidade não precisaria de um prefeito, mas sim de um bom escritório de contabilidade. Somos o maior município do centro paulista. Temos muitas possibilidades de crescimento. Por trás dessa visão, existe ainda a ideia de lotear a cidade. Nós, bauruenses, temos o direito de evoluir”, encerrou.