Polícia

Desvio de remédios: bando contava com "arsenal" de documentos falsos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Desarticulada em operação realizada anteontem, a quadrilha que comercializava ilegalmente medicamentos de alto custo desviados contava com uma grande engrenagem para viabilizar o esquema, incluindo comparsas que falsificavam documentos e emitiam notas frias para legitimar as fraudes. Conforme o JC divulgou, o grupo foi desmantelado em operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Polícia Militar (PM). Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Em depoimentos prestados ao longo do dia, anteontem, as doze pessoas presas na operação trouxeram novas informações sobre os crimes, que serão investigadas pelas polícias das cidades onde o esquema se ramificava. Segundo o Gaeco, há indícios de que contadores e farmacêuticos de Bauru e Jacarezinho (PR) e os donos de uma bicicletaria e de uma empresa de factoring de Bauru tivessem envolvimento com a prática criminosa.

Os promotores explicam que os contadores, por exemplo, ajudavam a viabilizar documentos falsos, como contratos sociais, abertura, fechamento e transferências de empresas de fachada do grupo. Já a empresa de factoring, que participava do esquema há cerca de cinco anos, comprava os créditos gerados pelas vendas dos medicamentos pela Internet, retendo parte do valor para repassar dinheiro vivo à quadrilha.

A estratégia, segundo o Gaeco, servia para dificultar o rastreamento da movimentação financeira da associação criminosa. Já o dono da bicicletaria de Bauru, ainda de acordo com as investigações, cedia o endereço do estabelecimento para receber os medicamentos de alto custo pelos Correios, comprado pela quadrilha de pessoas físicas.

Toda a mercadoria, conforme noticiado pelo JC, era desviada de hospitais públicos e particulares e clínicas médicas, ou ainda oriunda de furtos e roubos de carga. Boa parte dos remédios, destinada ao tratamento de câncer, estava estocada de maneira precária, sem a devida refrigeração, o que representa um grave risco à saúde pública.

Procedimentos
De acordo com os promotores, o Gaeco irá adotar uma série de medidas para que as investigações tenham curso nas devidas regiões onde os crimes ocorreram. Uma delas é o encaminhamento de pedido à Delegacia Seccional de Bauru para investigar a emissão de notas frias por parte de uma empresa de Agudos, cujo proprietário figura nas investigações como um dos fornecedores de medicamentos irregulares à quadrilha.

Também será enviado à Seccional pedido para investigar um empresário de Bauru que teria recorrido a um falsificador de documentos para transferir uma empresa para o nome de um ‘laranja’, com o objetivo de sonegar impostos. Outra medida é encaminhar à Delegacia Seccional de Araraquara pedido para apuração do possível desvio de medicamentos da Santa Casa daquela cidade.

Também será encaminhada à Corregedoria da Polícia Civil de Ribeirão Preto uma solicitação para investigar a participação de funcionários de cartórios de notas da cidade, que podem ter falsificado documentos para consolidar a fraude.

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