| Aceituno Jr. |
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| Categoria se reuniu no Calçadão da Batista pela manhã; à tarde, presidente em exercício Michel Temer decidiu manter ministério |
Artistas locais se reuniram na manhã desse sábado (21) na chamada “esquina da residência”, na quadra 6 do Calçadão da Batista de Carvalho, para protestar contra a fusão do Ministério da Cultura (MinC) com o Ministério da Educação (MEC). A classe considera a medida um retrocesso e avalia que o governo provisório pode estar querendo usar o fato para desviar a atenção da população de outros temas controversos.
O clima de insatisfação que tomou conta da classe artística após o recente anúncio do rebaixamento do MinC ao status de Secretaria tem resultado em ocupações de prédios federais em todo o País por integrantes de movimentos culturais. No dia 18, a Associação dos Servidores do MinC divulgou nota dizendo que a fusão com o MEC “coloca as conquistas históricas do campo das políticas públicas de cultura em risco”.
Nesse sábado, porém, depois de críticas, o presidente em exercício Michel Temer decidiu voltar atrás e manter o Ministério da Cultura. O ministro da pasta será Marcelo Calero que, na última quarta-feira foi anunciado como secretário nacional da Cultura (leia mais na página 22).
Em Bauru, um dos organizadores do ato, o fotógrafo Pedro Romualdo, que foi secretário de Cultura no primeiro mandato do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), compartilha da mesma opinião. “Eu acho que todo mundo tem que se preocupar com a extinção do Ministério da Cultura porque ele é um ministério muito importante. Para mim, é um dos mais importantes porque não é só questão de verba, mas tudo o que ele representa”, diz.
Ele cita como exemplo a Lei Federal de Incentivo à Cultura, a chamada “Lei Rouanet”, e sua importância no processo de democratização das variadas manifestações culturais. Romualdo lembra ainda que, na sua gestão a frente da pasta da Cultura, recebeu R$ 3 milhões do MinC para a manutenção de dez pontos de cultura no município. “Tem que haver um canal porque o governo federal é quem tem dinheiro”, afirma.
Apesar da preocupação com a extinção do Ministério, o fotógrafo acredita que essa medida tenha sido uma estratégia do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) para desviar o foco de outras questões importantes, como cortes no Programa Minha Casa Minha Vida e reforma da Previdência. “É um bode na sala”, declara. “Colocaram isso para todo mundo se desgastar e a gente está percebendo que há um negócio maior”.
Mobilização
Romualdo ressalta que esse primeiro ato deve servir de impulso para outras manifestações semelhantes. “Nós temos que ampliar esse debate. Temos que começar a denunciar isso e outras coisas que estão acontecendo e reduzindo conquistas que nós tivemos durante os últimos dez anos”, diz.
