O interino Michel Temer é alvo de críticas por ter esquecido de colocar mulher no Ministério. Merece o puxão de orelha. Mas, por motivo inverso ao defendido pelas feministas nessa luta por uma suposta igualdade com os homens. Está na hora, isto sim, de acabar com a escravidão dos machos e de pôr fim a boa vida das fêmeas. Há milênios os homens enfrentaram os animais selvagens para garantir a comida na caverna.
Hoje, são os relógios de ponto que nos provocam danos por uma vida corrida e estressante. Apesar de sempre ter mantido a posse das armas e o controle dos exércitos, o homem se deixou domar e hoje vive em servidão. Passa sua vida nos grilhões do trabalho para que as mulheres possam ir ao supermercado e assistir The Games of Thrones. Temer, o interino, deveria tê-las colocado nos postos chaves, para que sintam o bafo da oposição sedenta de vingança e as críticas ferinas da esquerda raivosa. O Papa Francisco pensa admitir mulheres-diáconas rezando missas, fazendo batizados, celebrando casamentos e encomendando os mortos. Há dois mil anos os homens-padres fazem esses serviços, sem descanso. Está na hora de mudar.
Na manhã chuvosa e fria, na Av. Getúlio Vargas, estaciona junto ao meio fio um reluzente carro com o pneu dianteiro arriado. Dele salta uma jovem bem vestida, sandálias de salto alto, vestido colante. Só que em vez de resolver o problema, ela fica parada com uma expressão de desconsolo. Sobrou para mim. Molhado pela garoa outonal, com as mãos enegrecidas apressei-me em terminar o serviço porque ela não parava de olhar no relógio. Guardei o pneu furado e as ferramentas no porta-malas e a dona me perguntou quanto era. Como seu eu fosse borracheiro. As mulheres vão à faculdade, trabalham fora, jogam futebol, querem ser ministras de Estado e tratadas com igualdade. Mas nem tentam trocar um pneu furado...
Desde o dia em que saímos da pré-história, a sociedade é organizada nesse falso domínio do homem, a partir do pequeno núcleo chamado família até o grande núcleo, a nação. O tal patriarcado só teve vigência durante a revolução agrícola. O homem descobriu que era possível plantar sementes e criar animais domésticos. Entendeu também que a gravidez não era mágica alguma, mas resultado daquelas brincadeiras inconsequentes com que divertia suas mulheres. Assim, o homem foi mantido em servidão, e as mulheres sempre viveram mais comodamente. Ao longo dos séculos, os homens trabalharam para conseguir comida e morreram para defender suas casas e territórios. E essa ideologia ainda predomina. Enquanto isso, as mães ensinam ao filho que homem não chora, porque é mais forte e, por isso, é ele quem vai para a guerra.
A história da moda feminina está cheia de truques que só acentuam as características da mulher. O salto alto, por exemplo, é o mais comum dos fetiches. Podem ser pouco práticos, mas são uma arma poderosíssima dentre os artifícios femininos. Elas também criaram os sutiãs, as cintas-ligas, os vestidos sexys, os batons, as sombras, todos esses artifícios para enganar os homens. A responsabilidade econômica que a sociedade impõe ao varão reduz sua vida. Na média, vivemos oito anos menos do que elas. Os homens são sempre mais velhos ao casar. Quando morrem, ainda deixam pelo menos mais 12 anos de vida confortável à viúva, com a pensão e os legados. Temer vai dar muito mais: casou-se com uma mulher 42 anos mais nova do que ele.
Se a sede de poder fosse exclusividade masculina, como dizem as feministas, como explicar o surgimento de criaturas impiedosas e nada pacíficas como Isabel, da Inglaterra e Catarina, da Rússia. Elas souberam aliar autoridade com política, para serem obedecidas. Dilma foi apenas autoritária, e se deu mal. Nós não queremos lutar contra o feminismo e suas conquistas, mas pela igualdade de direitos. Esse é o verdadeiro machismo da atualidade. O neomachismo. Precisamos acabar com essa imagem do homem duro e insensível, ao contrário da mulher, terna e compreensiva. Temer, quando secretário da Segurança em São Paulo, implantou a primeira Delegacia da Mulher e esqueceu-se da Delegacia dos Homens. Maior iniquidade.
Até a feminista Shere Hite teve de reconhecer: o que os homens querem é intimidade; é serem abraçados e acariciados. O que buscamos no sexo é a permissão, negada pela sociedade, de sermos emocionais e afetivos, sentimentos que aprendemos a esconder porque são considerados coisas de mulher.
O autor é jornalista e articulista do JC