Bairros

Nos bastidores da tropa da Companhia de Força Tática; confira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

João Rosan/JC Imagens
Força Tática atua há 25 anos em Bauru

A Força Tática do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) é uma companhia composta por dois pelotões (1. e 2.º Pelotão) comandados por um tenente cada. Cada tenente, em seu dia de serviço, coordena operacionalmente todas as modalidades de Força Tática: pelotão embarcado de viaturas grandes,  Cavalaria, Canil e Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam). Este ano, a Força Tática completa 25 anos em Bauru.

O capitão que comanda a Companhia é responsável administrativamente por tudo. Este também pode auxiliar o tenente no gerenciamento de uma ocorrência de gravidade. Normalmente, a Força Tática é acionada para operações de maior risco, especialmente. Ou seja, ocorrências de maior gravidade ou complexidade de resolução, obrigatoriamente, contam com a ação da Força Tática. Crimes com reféns, explosão de caixa eletrônico e roubos são exemplos. “São operações que exigem uma resposta especial da Polícia Militar. Em Bauru, o roubo em andamento é o tipo de ocorrência que pede a ação dos policiais da Força Tática com mais frequência. Pode ser em residência, comércio ou mesmo pedestre. Imediatamente, as viaturas se deslocam para o local e começam a realizar o cerco para apoiar a viatura da área ou, se chegar primeiro, conduzir a ocorrência”, grifa o 1.º tenente Bruno Mandaliti, responsável pela comunicação da PM de Bauru.

 
O equipamento e o treinamento são os diferencias. Os agentes dispõem de escudos balísticos, arma taser (de condutividade elétrica), granadas de efeito moral (lacrimogêneas) e outros. “As viaturas do dia a dia não teriam como andar com todo esse armamento.”

Números

O Tático opera atualmente em Bauru com um número de policiais que varia entre 70 e 80 agentes divididos entre as quatro modalidades operacionais. Cada modalidade recebe seu treinamento especial, porém, todos têm que ter a mesma doutrina e conhecimento de integração dos pelotões. 

Segundo Mandaliti, a equipe passa por constante atualização de conhecimentos táticos e técnicos de policiamento especial. “Este ano, por exemplo, veio para Bauru equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e do Comando de Operações Especiais da Capital  (COE). Treinamentos especiais como estes afinam nossos policiais para darem um atendimento especial a diversos tipos de ocorrências.”

O nome Força Tática existe desde 1998. Em Bauru, a nomenclatura passou a ser usada em 2005, quando todos os batalhões do Estado passaram a usar o nome

Tropa de choque

A Tropa de Choque, composta pelos integrantes da Força Tática, é responsável pela preservação e restabelecimento da ordem pública, seja em área urbana ou rural. Essa fração de tropa distingue-se pela organização, treinamento, instrução dinâmica e material bélico: granadas, agentes químicos, munições de impacto controlado, escudos de proteção balística, capacetes balísticos, submetralhadoras, fuzis, carabinas, entre outros.

Usualmente, seus integrantes são selecionados pelo bom vigor físico aliado ao alto controle emocional para cumprir tarefas extenuantes e ousadas. Dado seu preparo e mobilidade, é geralmente empregada como força auxiliar aos demais programas de policiamento em ocorrências de gravidade e de difícil controle ou que exijam maior aparato policial.

Força Tática completa 25 anos

Data que marca criação é 29 de maio; solenidade será realizada no dia 25, na sede do Comando de Policiamento do Interior 4

Malavolta Jr.
Agentes do Tático em concentração e oração antes de uma operação
Divulgação
Primeira turma, também com policiais femininos, no Tático 4

No dia 29 de maio, Bauru comemora os 25 anos da Força Tática. A solenidade militar será realizada no dia 25, no Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4).

Atualmente, a Força Tática do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) é uma Companhia composta por dois pelotões (1º e 2º Pelotão), além do Grupamento de Polícia Montada (Cavalaria), Grupamento de Canil e equipes de Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam).

Segundo informações do comandante da Companhia de Força Tática de Bauru, capitão Gustavo Cardoso Xavier, há total integração deste efetivo junto às atividades operacionais, assim como nos treinamentos táticos ocorridos ao longo do ano e denominados  de “Matriciais de Choque”.

“Estes treinamentos, periódicos e sistematizados, proporcionam qualidade, eficiência e eficácia da Força Tática, que por muitas vezes apoia batalhões operacionais subordinados ao CPI-4, totalizando 89 municípios de abrangência em toda região”, enumera.

Ainda segundo o capitão, especificamente, a Força Tática, vem atuando nos 18 municípios de cobertura do 4º BPM/I, além da sede Bauru, totalizando 19 cidades em ações de choque, controle de distúrbios civis, revistas e atuações em rebeliões de presídios, policiamento em praças desportivas, eventos grandes como shows, reintegrações de posse em áreas urbanas ou rurais, cumprimentos de mandados de busca e prisão, gerenciamento de crises com reféns e, principalmente, na prevenção criminal através do patrulhamento preventivo em áreas de interesse de segurança pública e de alta incidência criminal.

Quatro rodas

No começo, o Tático 4 contava com três viaturas GM Veraneio, que foram sendo substituídas ao longo dos anos por veículos de alto rendimento, mobilidade e estabilidade, capazes de carregar equipamento específico. Hoje, a frota conta com viaturas Toyota Hilux e GM Trailblazer, além das motocicletas Honda XRE 300 e do caminhão para transporte de cavalos denominado “big”.

‘Tático Comando’

Ao longo de sua trajetória, o Tático 4 (atual Força Tática) teve uma sucessão natural de oficiais à frente de seus pelotões operacionais. O primeiro deles foi o 1.º tenente Jorge Duarte Miguel (hoje tenente-coronel da Polícia Militar), que, em 29 de maio de 1991, assumiu as funções de comandante do pelotão, mais conhecido como “Tático Comando”. A seguir, os oficiais que assumiram as funções de “Tático Comando” e fazem parte da história do 4º Batalhão de Caçadores.

Cavalaria realiza projeto de equoterapia com a Sorri

Em Bauru, o Grupamento de Polícia Montada conta com 15 policiais e 11 animais

Éder Azevedo/Arquivo JC
‘Arma ligeira’ - Inauguração do Centro de Equoterapia da Sorri Bauru em parceria com a Cavalaria da Força Tática, em novembro de 2009

O Centro de Equoterapia “Capitão Olímpio Cássio Soares” teve início em 1996 no 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM/I) e trabalha em parceria com a Sorri há 7 anos. O serviço contempla pessoas da cidade e região, proporcionando tratamento especializado aos mais diversos tipos de enfermidades, principalmente as motoras. Hoje, o projeto tem dois policiais e três cavalos na equipe.

Além dos instrutores da polícia, a instituição conta com uma equipe multidisciplinar de fisioterapeuta, psicólogo, educador físico e fonoaudiólogo. Entre os benefícios que podem ser citados, o andar do cavalo ajuda os pacientes a terem mais equilíbrio e concentração. Além disso, eles criam um vínculo afetivo com o animal, o que fortalece a autoestima. 
Os cavalos utilizados na equoterapia são animais que já exerceram atividades policiais nas ruas por bastante tempo, o que os torna mais tranquilos e dóceis.

A Cia. de Força Tática integra em suas fileiras a “arma ligeira”, como é conhecido o seu Grupamento de Polícia Montada ou Cavalaria, usada para apoiar situações críticas, principalmente. Atualmente, 15 policiais e 11 animais compõem o grupamento.

A Cavalaria é capaz de operar em qualquer ação policial, preventiva ou repressiva. Por se tratar de uma modalidade de policiamento típica de choque, possui efeito psicológico provocado pelo porte físico avantajado de seus cavalos e da ostensividade que proporcionam.

Em Bauru, a principal missão da Cavalaria é executar o policiamento. Ela também é empregada como Tropa de Choque em campos de futebol, entre outras ações de controle de distúrbios civis. Mesmo com todo o avanço tecnológico e científico, a tropa montada ainda é empregada em diversos países.

Rapidez é o diferencial da Rocam

Neide Carlos/Arquivo JC
A foto mostra a solenidade de implantação do patrulhamento da Rocam em Bauru, em outubro de 2005

Dentro do universo operacional da Força Tática está o programa de policiamento das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam). O programa Rocam foi criado em 5 de novembro de 1982 na Polícia Militar do Estado de São Paulo com a finalidade principal de atuar nos centros comerciais e bancários. Rapidamente, destacou-se como uma modalidade de policiamento dinâmica e de grande eficácia, especialmente em meio ao intenso tráfego paulistano.

Em 7 de abril de 1986, a Rocam foi transferida para o 2º Batalhão de Polícia de Choque e passou a executar, além das atividades próprias de policiamento ostensivo, o controle de distúrbios civis e o policiamento externo de eventos.

Com características de tropa de choque, a rapidez do meio de transporte e a diferença significativa no tempo de chegada ao local (possibilitando mais eficiência em situações emergências) são os atributos mais característicos da Rocam. 

Em 2005, a sigla Rocam foi oficializada em praticamente todos os batalhões da PM de São Paulo. No 4º BPM/I, inicialmente, o policiamento com motos foi criado no dia 21 de maio de 1998 e tem ações voltadas para o patrulhamento preventivo em áreas críticas da cidade.

Por sua versatilidade, as motocicletas podem ser empregadas nas mais variadas áreas urbanas, como avenidas de tráfego intenso ou em território rural com passagens sem pavimentação e de difícil trânsito de veículos de quatro rodas.

Canil da Força Tática conta hoje com 11 cães

A Cia. de Força Tática também mantém um grupamento de canil focado no suporte aos programas de policiamento, tanto na modalidade de cães de faro quanto na de cães de patrulhamento.

Segundo o subtenente e comandante do Canil da Força Tática, Agnaldo Ribeiro da Silva, hoje o grupamento conta com 11 cães: oito da raça pastor alemão capa-preta, que realizam o trabalho de patrulhamento e faro; dois animais da raça labrador retriever e um beagle. Estes três últimos são especialistas no faro de armas e drogas.

“Nove policiais atuam no grupamento, cada um com seu cachorro. Quando os animais são aposentados, quem tem a preferência de levá-los para casa é o seu policial condutor/adestrador”, lembra o comandante, que ainda acrescenta que os cães chegam ao Canil da PM com idade entre 2 e 6 meses. São selecionados e treinados até os seus 2 anos de vida, e trabalham no grupamento até os 8 anos.

Vira-latas

Éder Azevedo/Arquivo JC
Canil da PM de Bauru: na primeira foto (2013), cabo Neto, soldado Oséias e tenente Eliete com os cães Yanka, Falcão, Zulu, Emi e Suzi; na segunda foto (2014), o cão Falcão passa por treinamento e localiza arma escondida em carro

Segundo o 1.º tenente da Força Tática Bruno Mandaliti, responsável pela comunicação da PM de Bauru, o Canil começou com cães vira-latas e o mais conhecido deles foi o Chulipa. Em seguida, o comandante do 4º Batalhão de Caçadores, coronel Agenor de Almeida Castro teria adquirido o primeiro cão da raça pastor alemão, chamado de Moleque.

“O cão e o então soldado Sílvio Savioli foram enviados para São Paulo para um curso de adestramento no canil da Capital. Após a conclusão do curso, o soldado Savioli voltou com o cachorro para constituir o Canil do Batalhão, dando início ao Canil do 4º BC”, comenta.

O policiamento com cães atua na prevenção dos delitos nas ruas, escolta de presos, captura de foragidos, localização de pessoas e entorpecentes, operações em presídios, estádios de futebol...

Um dos focos do Canil bauruense é o aperfeiçoamento de técnicas para adestramento e trabalho com cães de faro de drogas, exclusivamente na atividade policial. O Canil de Bauru tem ainda se destacado nas ações de policiamento ostensivo por ser uma modalidade de policiamento comunitária.

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