Para quem dirige, anda a pé ou usa o transporte coletivo, não faz diferença: os buracos nas ruas de Bauru incomodam a todos. E não é para menos, já que são estimados em mais de 5 mil, incluindo aqueles originados pelo desgaste do asfalto antigo, pelo impacto das chuvas do começo do ano e os abertos – e não tapados – pelo DAE para consertar vazamentos de água e esgoto. Para piorar, a administração municipal não tem estrutura para recuperar a cidade até o início da próxima temporada das águas, que tradicionalmente chega no mês de novembro, e a única alternativa aventada pela prefeitura esbarrou em entraves burocráticos.
| Quioshi Goto/JC Imagem |
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| Sidnei: todos os dias são 90 novas queixas de buracos |
Durante todo o governo Rodrigo Agostinho, nunca o número de depressões nas vias públicas foi tão grande e já voltou ao patamar da gestão Tuga Angerami, de acordo com o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.
O município recebe, em média, 90 novas queixas por buracos diariamente e consegue, em condições ideais, reparar pouco mais de 300.
“A decisão do prefeito é de que a nossa pasta tem que arrumar tudo. Não importa se é de responsabilidade do DAE ou não. Se não precisássemos cuidar dessa parte, a gente daria conta”, avalia Sidnei, que estima cerca de 1.600 pedidos em aberto referentes à autarquia.
Segundo ele, o acúmulo de crateras nas ruas é consequência da indisponibilidade de recursos para a execução dos serviços na virada do ano, além das longas e intensas chuvas nos primeiros meses de 2016.
A administração dispõe, hoje, de três caminhões da Secretaria de Obras, um da Administrações Regionais e de dois a três do DAE destinados ao conserto dos buracos. “Se dependermos só desse maquinário, por mais que nos esforcemos, não vamos conseguir resolver. Corremos o risco de chegarmos em novembro com uma demanda muita grande e, daí, perdermos o controle de vez porque virá mais chuva.”
LOCAÇÃO FRUSTRADA
O secretário conseguiu autorização do prefeito para alugar caminhões e incrementar o tapa-buracos com mais seis equipes, três de responsabilidade da prefeitura e três custeadas pelo DAE, a fim de viabilizar a recuperação das vias da cidade. A medida é inédita na história do município e escancara a dimensão do problema.
Um processo licitatório chegou a acontecer, mas a empresa que ofereceu o melhor preço para ceder o maquinário necessário para o serviço, sediada na Bahia, não foi habilitada pela administração por não apresentar toda a documentação exigida pelo edital. Agora, o processo será apreciado pelo jurídico da prefeitura. A ideia é tentar chamar a segunda colocada na disputa pelo contrato, mas isso exige que a empresa aceite o valor arrematado pela vencedora.
“Os documentos tinham que ser entregues em dez dias. Como não chegaram, foi concedido prazo de mais dez. Ainda assim, não foi possível dar início ao aluguel dos caminhões. Isso frustrou bastante”, avalia Sidnei.
| Malavolta Jr. |
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| Buraco na quadra 11 da rua Benedito Ribeiro dos Santos ilustra realidade de todas as regiões |
Ajustes
Outro desafio para a administração foi a disparada no preço de insumos necessários para a produção do asfalto. O valor de alguns itens subiu 38% de outubro de 2015 para cá. A variação exigiu que a Secretaria de Obras suplementasse em R$ 300 mil a ficha orçamentária do tapa-buracos, originalmente de R$ 1,5 milhão.
“É uma injeção de 20%, bastante considerável. Eu acredito que, com esse incremento, será possível dar continuidade na recuperação das vias até o final do ano”, avalia o secretário Sidnei Rodrigues. Por outro lado, o secretário já avisou o prefeito Rodrigo Agostinho que projetos previstos inicialmente não serão executados por falta de recursos para a produção de massa asfáltica.
O principal deles é o recape da avenida Nuno de Assis, entre o Terminal Rodoviário até o entroncamento com a rodovia Marechal Rondon. O trecho não está contemplado pelo contrato entre o DAE e a Stemag, empresa responsável pela instalação dos interceptores de esgoto às margens do rio Bauru, mas era considerado prioritário pelo governo.
| Malavolta Jr. |
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| Cratera com entulho na quadra 4 da rua Altair Leite de Campos |


