Esta terça-feira (24) é o Dia Mundial do Café. Bebida que já foi o maior símbolo do País mundo afora, atualmente segue como presença obrigatória nas mesas matinais dos brasileiros. O próprio nome do nosso desjejum, “café da manhã”, mostra o peso histórico que a bebida tem. E uma nova realidade: entidades ligadas ao setor cafeeiro apontam que os jovens, sobretudo na faixa dos 16 aos 30 anos, estão “redescobrindo” o café nos últimos anos.
Maurício Lima Verde Guimarães, que além de presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região é também o presidente da Comissão Nacional do Café e representante brasileiro na Organização Internacional do Café (OIC) confirma a tendência.
“O grão do café não tem tanta variação, são basicamente dois tipos, o Bourbon e o Sumatra, mas o que faz a diferença é o processo de industrialização, que está muito mais sofisticado e produzindo uma variedade grande de tipos de bebida. Em algumas cafeterias em São Paulo, por exemplo, há 140 variedades da bebida”, cita.
| Aceituno Jr. |
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| Lucas Biral, Anna Paula Ciccone e Ana Patrícia Biral apreciavam a bebida na noite dessa segunda-feira (23) |
Não é difícil encontrar jovens que apreciem o bom e velho cafezinho. Em uma cafeteria na avenida Getúlio Vargas, ontem à noite, os amigos Lucas Biral, 23 anos, Ana Patrícia Biral, 20, e Anna Paula Cicconi, 19, conversavam em meio à degustação da bebida. Os três são de Lençóis Paulista e estudam em Bauru. “Eu gosto principalmente em época de prova na faculdade, ajuda a ficar atento”, comenta Lucas, que cursa meteorologia na Unesp.
“Tomo café desde criança. Quando preciso fazer os projetos da faculdade, acabo tomando mais”, cita Ana Patrícia, que, a exemplo da amiga Anna Paula, faz arquitetura e urbanismo na USC. “Café é bom. Também tomo desde quando era criança”, completa Anna Paula.
Quem também toma café diariamente é Lucinéia Moreira dos Santos, de 29 anos. “Minha mãe já tomava café, então desde pequena tenho esse hábito. Tomo umas três vezes por dia pelo menos”, revela.
Produção e consumo
Maurício Lima Verde diz que o Brasil manteve a média de produção nos últimos anos, porém, as maiores áreas migraram de São Paulo para outros Estados. A região de Bauru, por exemplo, já esteve entre as mais importantes do mundo na produção cafeeira, com fazendas como a Val de Palmas, que chegou a ser a maior do planeta nesta cultura.
“Com a valorização das propriedades no Estado e o preço melhor de outras culturas, o café foi perdendo espaço. Grandes propriedades hoje já não plantam café em São Paulo, ficou restrito a pequenas propriedades rurais. Estados como Minas Gerais e Espírito Santo, hoje, possuem áreas maiores de plantio, até pela facilidade de uso de máquinas em comparação com São Paulo, por conta do relevo”, resume.
Lima Verde salienta que 2 milhões de hectares têm plantação de café no País, resultando em uma produção de 46 milhões de sacas anuais, portanto cerca de 32% de tudo o que é produzido no mundo, aproximadamente 140 milhões de sacas por ano. “O Brasil ainda é o maior produtor do planeta, seguido de Indonésia, Vietnã e Colômbia. Outros lugares produzem também café de muita qualidade, como os países da América Central, mas em menor quantidade”, menciona.
Quanto ao consumo, Lima Verde aponta o Brasil como o segundo maior mercado global. São 21 milhões de sacas anuais consumidas no País, ou seja, pouco menos da metade da nossa produção, que ainda é exportada em larga escala. “Perdemos apenas para os Estados Unidos no quesito consumo”, aponta. “Porém, o café já teve mais importância na balança comercial brasileira. Hoje, fica bem atrás de itens como soja e carne bovina. Outros países, apesar de produzirem menos, dependem mais do produto”, completa.
Na região
Lima Verde diz que a região de Bauru produz anualmente 300 mil sacas de café, aproximadamente. “Isso em mais ou menos 30 municípios mais próximos de Bauru. Mas a tendência é reduzir, seguindo o que ocorre em todo o Estado”, conclui.
