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Ministério da Saúde realiza blitz em vagões abandonados em Bauru

Cinthia Milanez e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Marta Damasco, do Ministério da Saúde, é acompanhada de Ademir Gaspar, do Ministério dos Transportes
Além dos vagões, trilhos também foram vistoriados

Em meio ao mato alto, estão os vagões abandonados e já deteriorados pelo tempo. O que era para ser apenas um cenário de uma época que chegou ao fim se transformou em risco à saúde pública. Nesta terça-feira (24), Bauru foi alvo de uma blitz do Ministério da Saúde, com a presença da chefe da Sala Nacional de Coordenação e Controle, Marta Damasco, que afirma que esses itens são abrigos ideais para que o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya se desenvolva.

Ela esclarece que a escolha por Bauru se deu porque é uma das cidades brasileiras com maior número de vagões abandonados, segundo levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A situação encontrada na área sob responsabilidade da Rumo ALL (América Latina Logística) em Bauru, em sua análise, não foi positiva.

“Ela está coberta de mato, o que dificulta o acesso das equipes de agentes de endemias da prefeitura, para que possam verificar a presença de água acumulada”, pontua. Marta explica que as visitas aos pátios ferroviários em todo o País foram iniciadas neste mês, com fiscalizações já realizadas em Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG), em trabalho conjunto com o Ministério dos Transportes Portos e Aviação Civil.

A prioridade está sendo dada às cidades mais críticas em todo o País, para cobrar providências nestas áreas, que pertencem à União, mas estão sob a concessão de empresas privadas. “Não adianta a gente falar para as pessoas cuidarem de suas casas, se não cuidamos da nossa”, justifica. No caso de Bauru, os equipamentos estão concentrados nas proximidades do Museu Ferroviário, na rua Primeiro de Agosto, no Centro da cidade, e pertencem à Rumo ALL.

Quando voltar à Brasília, a representante do Ministério da Saúde irá elaborar um relatório e encaminhá-lo ao Ministério dos Transportes. O órgão deverá, então, acionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para que cobrem das concessionárias a limpeza do espaço que ocupam e adotem medidas em relação aos vagões. “Uma janela quebrada pode abrir espaço para a água da chuva, que fica parada dentro dos vagões”, exemplifica.

Vistoria

A Divisão de Vigilância Ambiental, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, realiza, mensalmente, a vistoria dos oito vagões pertencentes ao município, que ficam expostos no Museu Ferroviário de Bauru, mas não tem condições de fazer o mesmo com os equipamentos da concessionária. O titular da pasta, Fernando Monti, alega que já notificou a empresa diversas vezes, mas o problema nunca foi resolvido.

Inclusive, ele espera que a vinda da representante do Ministério da Saúde à cidade faça com que a situação se reverta. “Já houve vários processos contra a empresa, que ingressa com recursos e nada muda. Não falo em retirar tudo de uma vez, mas, pelo menos, manter em condições que não propiciem o desenvolvimento do mosquito da dengue. Enfim, esperamos que a empresa cumpra com sua responsabilidade”, argumenta.

Mobilização

Marta Damasco acredita que a mobilização de autoridades públicas em conjunto com a sociedade civil organizada possa exercer pressão para mobilizar as concessionárias a adotarem medidas efetivas que eliminem os riscos à saúde pública. “A Câmara dos Vereadores pode realizar audiências públicas, igrejas, agremiações recreativas, escolas, organizações não governamentais, enfim, toda a comunidade para debater e exigir a manutenção dos pátios limpos”, vislumbra.

Em nota, a assessoria de imprensa da Rumo ALL esclarece que os vagões aguardam recuperação, manutenção ou baixa definitiva, e que estão estacionados no pátio ferroviário, recebendo os devidos cuidados. A concessionária ressalta que todo processo de baixa de ativos tem de ser, obrigatoriamente, autorizado pela ANTT e que os trabalhos de manutenção seguem um cronograma interno da companhia, definido de acordo com as metas de cada trecho e atrelado à demanda efetivamente contratada.

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