Ainda em 1910, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro chegou a Bauru e sua linha transpôs o Córrego das Flores utilizando um aterro ligado a um bueiro.
A região abaixo da avenida Rodrigues Alves, por onde o Córrego das Flores percorria, passou a ser mais atraente no momento em que a Companhia Antarctica Paulista adquiriu uma gleba de terra, em 1923, e montou uma fábrica para produzir cervejas e refrigerantes. Contou-me Gabriel Ruiz Pelegrina que essa companhia, visando melhor aproveitamento da área adquirida, canalizou o córrego numa extensão aproximada de 150 metros, colocando para isso tubos de concreto de 1 metro de diâmetro cada.
Ainda não estava concluído esse aterro quando, em 1929, por descuido, a água do córrego foi desviada para a esquerda e, não encontrando saída, formou um grande lago denominado “Lagoa do Ministro”, que passou a ser utilizada para o lazer, inclusive com o uso de barcos, utilização que durou até ser corrigido o curso canalizado, quando o lago foi extinto.
Em 1927, na região desse vale, foi erguido o Quartel da Força Pública Paulista. Para atender ao desenvolvimento que aquele trecho assistia, o prefeito Gomes Duarte criou a Escola Mista Urbana da Vila Antarctica, que teve como primeira professora Mercedes Paz Bueno. Em 1930, o prefeito Major Fraga ali implantou uma escola de primeiro grau, que teve como professor Carlos Corrêa Vianna. Em 1933, o Conde Francisco Matarazzo, em terreno próximo ao quartel, instalou uma indústria que impulsionou o progresso da cidade. Essa área promissora e atraente recebeu a nova avenida, construída por etapas, envolvendo vários governos.
Ocorre que o vale do Córrego das Flores tinha, na região central da cidade, erosões e uma área lamacenta. A região estava expandindo para todas as direções, menos nas imediações da avenida Rodrigues Alves, separada da Vila Cardia por uma erosão provocada por esse córrego.
No governo do prefeito Nicola Avallone Júnior (mandato de 1 de janeiro de 1956 a 10 de março de 1959, quando renunciou para assumir o cargo de deputado estadual na Assembleia paulista, sendo substituído nos meses seguintes pelo médico Luiz Zuiani), ficou definida a ligação da avenida Rodrigues Alves, no trecho erodido, facilitando assim o acesso da cidade em direção à Vila Cardia e adjacências.
Nicolinha, como era chamado, convidou e obteve a adesão de caminhoneiros da cidade para fazerem um mutirão, trazendo terra para cobrir a erosão. Com a canalização da água do córrego, foi feita a ponte para concluir a ligação almejada, que foi asfaltada pela prefeitura. Com a sobra da terra recebida, aproveitou para estender a cobertura da erosão, na região onde atualmente é a Praça do Líbano.
O autor é mestre formado pela Unesp,
membro da Academia Bauruense de Letras e colaborador de Opinião