Tribuna do Leitor

24 de maio: Dia do Telegrafista

Wanderley Brosco - chefe geral de estação ? aposentado
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Antes da implantação de núcleos de formação telegráfica ferroviária,  o candidato se iniciava como aprendiz nas próprias estações, aos 13 anos de idade, sob supervisão do respectivo chefe.

Dois a três anos depois já estava transmitindo e recebendo telegramas pelo sistema inglês (duas teclas) com relativa facilidade.

Os vencimentos eram, na época da Primeira Grande Guerra Mundial, de vinte e cinco mil réis. Insignificância? Sim, insignificância para os dias atuais, mas o suficiente naqueles tempos para pagar modesta pensão. Criança, sem outra ambição se não a de comer uns docinhos de vez em vez, três mil réis que sobrassem davam para essas guloseimas, durante o mês todo. Guardava-se ainda, creiam, um ou dois mil réis que eram depositados em seu “pé de meia”!

Um ano depois, o praticante, se assíduo e cumpridor de seus deveres, passava a receber, ainda como praticante: cinquenta mil réis. Com cinquenta reais de hoje, naqueles tempos fazia-se “coisas do arco da velha”. Era uma fortuna! Gastava-se a “rodo” e ainda se guardava dinheiro a valer. Dois a três anos mais tarde, o praticante que fosse sempre dedicado ao trabalho, era surpreendido com uma promoção. Passava de praticante para a categoria de telegrafista – vencimentos “coisa louca”: noventa mil réis. Aí, então, mandava fazer umas calças compridas. Apresentava-se, agora, como homem: apesar de ainda ser criança.

A maior parte recebeu instruções telegráficas com prazer, pelo menos nos primeiros anos de sua mocidade. E isto dizemos pelo fato de ser a telegrafia uma arte que entusiasma.

Nos meios ferroviários (a exemplo de Waldemar Aparecido Fraga e Arlindo Coneglian, Geremias Comin etc.) existe grande número de altos funcionários que foram telegrafistas no início de sua carreira. Mais tarde, por força de novos cargos, foram se distanciando do serviço telegráfico. Nunca, porém, teriam esquecido o telégrafo.

Para um leigo, o sistema telegráfico parece um bicho de sete cabeças; porém, à medida que se vai familiarizando com os manipuladores, o telégrafo exerce um fascínio sobre quem o pratica. Cada letra do alfabeto latino é representada por uma combinação de pontos e traços. Da mesma forma, são codificados os sinais mais comuns da linguagem escrita, além de outros convencionais. Exemplo: o nome Brosco é assim codificado: \...  .\.  \\\  ...  \.\.  \\\  

Tomaz A. Edson, inventor e cientista americano, estudou telegrafia e foi telegrafista em Mon Clemens e depois em Boston. Juscelino Kubitscheck de Oliveira, ex-presidente da República, como todos os telegrafistas brasileiros sabem, foi telegrafista nos Correios em Belo Horizonte e sentia-se orgulhoso quando relembrava seu passado de lutas para atingir o mais alto posto da magistratura brasileira.

Samuel Morse, ao inventar seu aparelho, dotou o mundo de um dos mais eficientes meios de progresso. A telegrafia, inclusive utilizada pelas Centrais de Polícia, Aviação Civil, Forças Armadas etc, trouxe grandes benefícios à humanidade salvando vidas no mar, através dos chamados de socorro do sem-fio e aproximando os homens em terra: em comunicações rápidas e seguras.  

Conservo ainda hoje, dos meus tempos de telegrafista, uma emocionante saudade. Além do coleguismo fraterno, a profissão sempre me pareceu uma das mais belas pelo objetivo humanitário e progressista que encerra.

 

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