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Gravação mostra Renan Calheiros orientando defesa de Delcídio


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Diálogo gravado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) mostra como ele empenhou-se pessoalmente no processo que culminou no dia 10 de maio com a cassação do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT/MS). O interlocutor de Renan chama-se Vandenberg. Os investigadores suspeitam que trata-se de Vandenberg Machado, assessor da CBF em Brasília e muito próximo do PMDB e de Renan.

A conversa de Renan, divulgada pela TV Globo, ocorreu no dia 24 de março, quando o Conselho de Ética do Senado ainda conduzia o processo contra Delcídio.

Preso em 25 de novembro de 2015 por supostamente tramar contra a Operação Lava Jato, o ex-petista fechou acordo de delação premiada em que revelou envolvimento de colegas no esquema Petrobras. Delcídio também citou o ex-presidente Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff.

O ex-petista foi solto em 19 de fevereiro, dias depois do acordo com a Procuradoria-Geral da República.

Veja abaixo os trechos da gravação divulgada nesta quinta-feira, 26.

Renan: O que ele (Delcídio) tem que fazer... Fazer uma carta, submeter a várias pessoas, fazer uma coisa humilde... Que já pagou um preço pelo que fez, foi preso tantos dias... Família pagou... A mulher pagou...

Vandenberg: Ele (Delcídio) só vai entregar à comissão, fazer essa carta e vai embora.

Renan: Conselho de Ética. Falei agora com o João (João Alberto, presidente do Conselho de Ética). O João, ele fica lá ouvindo os caras... O Conselho de Ética não tem elementos para levar processo adiante. Também é ruim dizer que não vai levar o processo adiante. Então, o Conselho de Ética tem que requerer diligências requisição de peças e enquanto isso não chegar fica lá parado...

Vandenberg: (João Alberto) vai colocar em votação e vai ter uma derrota antecipada...

 

Em gravação, Renan indica advogado Ferrão como capaz de influenciar Teori

Em  trecho da conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) indica ao ex-presidente da República José Sarney o advogado Eduardo Ferrão para tentar influenciar o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki a barrar a Operação Lava Jato.

Ferrão entraria como substituto do ex-ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha na tarefa de tentar convencer Zavascki a por fim na Lava Jato e evitar que o juiz Sérgio Moro mandasse Machado para a cadeia.

Na conversa ente os três, gravada no dia 10 de março pelo próprio Sérgio Machado, Sarney diz ao ex-presidente da Transpetro: "O Renan me fez uma lembrança que pode substituir o César. O Ferrão é muito amigo do Teori."

Renan adverte sobre a importância de a conversa ficar só entre ele, Sarney e Machado: "Tem que ser uma coisa muito confidencial Sérgio. Só entre nós e o Ferrão."

Outro trecho da conversa gravada mostra que houve tentativa de se mudar a lei para prejudicar a Operação Lava Jato. Machado sugere: "outro caminho que tem que tem que ter. É a aprovação desse projeto de leniência na Câmara o mais rápido possível porque aí livra criminal, livra tudo." Sarney reponde: "Tem que lembrar o Renan disso. Para ele aprovar o negócio da leniência."

Os dois se referiam à Medida Provisória sobre acordo de leniência editada pelo Governo Dilma para facilitar as empresas envolvidas nas investigações da Lava Jato que admitirem culpa voltar a fazer negócios com o setor público. Só que depois do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público terem se posicionado contrários a MP foi substituída por um Projeto de Lei mais rígido.


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