São os políticos como no título: “bagres ensaboados”. Ou seja, ninguém segura ou prende. Escapam sempre, sem dificuldades. E aqueles que não precisam escapar, são raridade no Brasil e no mundo. Diz o ex-presidente Sarney, na gravação de Sérgio Machado, ex-presidente do Transpetro: “Uma delação premiada da Odebrecht, agora, seria como uma metralhadora ponto 100” (não sei, não, se há ponto 100). “Mas o Senado está assim, levaram o Delcídio e nem inquérito houve...”, disse noutras palavras. “E nessa coisa de navio que salva todo mundo, todo mundo morre”, completou Sérgio Machado.
A Dilma decretou lenidade, ou leniência, para as denúncias das empreiteiras que pode suavizar a pena pelos crimes. Mas Sérgio, de novo completa: “...só soltos, mas não presos...”. Claro, pois soltos vão manejar tudo e sumir com as provas.
Engraçado, querem implantar novas técnicas à PF, ou até, se preciso for, alterar a Constituição. Acham tudo fácil, porque fácil vem vindo tudo desde que D. Pedro II, o monarca mais democrático do mundo, não se opôs à Proclamação da República, como muitos militares e civis queriam: reação. O nosso querido imperador não queria que se derramasse uma só gota de sangue de ninguém. Perdeu, de certa forma, a amizade com o seu melhor amigo, o marechal Deodoro da Fonseca, e foi embora para Portugal sem aceitar ajuda financeira.
De modo acertado, Deodoro nos deixou frases ou desabafos como “Digam ao povo brasileiro que a República está feita”; “Impossível governar com este Congresso. É mister que ele desapareça para a felicidade do Brasil.” Por acréscimo nosso, diríamos: mas é impossível governar com este Congresso. São 513 deputados e 81 senadores. E a corrupção é demais e nunca a PF e o STF darão conta de impor a Justiça nesse meio. São todos bagres ensaboados.