Nos últimos doze meses, Bauru registrou ao menos 176 ocorrências de desligamento de energia elétrica causadas somente por colisões de veículos contra postes. Cada um dos casos, segundo a CPFL Paulista, prejudicou o fornecimento de energia e deixou “no escuro” pelo menos 600 imóveis por aproximadamente 3 horas, tempo médio entre o acidente e o restabelecimento do serviço pela companhia.
O JC noticia com frequência casos desta natureza. Há uma semana, por exemplo, um Corsa Sedan bateu contra um poste na rua Rio Taquarussu, na Vila Aimorés. Outros casos parecidos foram noticiados recentemente, alguns parecem até notícia repetida.
E o número não denota apenas uma realidade de Bauru. Seja por imprudência, negligência ou desatenção no trânsito, 8,7 mil acidentes envolvendo postes neste mesmo período deixaram sem energia 3,2 milhões de consumidores de 571 municípios dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, segundo a CPFL Paulista, que levou em conta sua área de concessão.
E o prejuízo?
O curioso é que em quase todas as ocorrências registradas em Bauru há um mesmo dilema: raros são os casos em que os condutores relatam à polícia o que de fato motivou o acidente. É também igualmente incomum a ocorrência em que o autor da colisão se responsabiliza de imediato pelos danos provocados ao patrimônio, que é público, mas que é cuidado pela companhia.
Para se ter ideia, a substituição de um poste varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Essa diferença de valores depende da complexidade dos equipamentos. Uma estrutura simples tem menor valor que uma com um transformador de energia, por exemplo. Para não deixar os clientes na mão, a CPFL diz que arca com o prejuízo inicial e, na sequência, recorre à Justiça, para que o ressarcimento do responsável legal pelo acidente ocorra.
Quando o autor não é identificado, o prejuízo entra para os gastos da própria companhia, que acaba diluindo o valor nos custos operacionais, consequentemente gerando aumento da tarifa.
Além dos danos materiais e do transtorno causado pela interrupção da energia à população em geral, colisões contra postes podem ocasionar consequências graves, como o risco de contato com a rede elétrica de alta voltagem.
Campanha
O assunto tem preocupado tanto a CPFL, que a empresa decidiu se envolver em uma campanha chamada Maio Amarelo, que tem como proposta chamar a atenção da população para o alto número de mortes e feridos no trânsito, além da promover a direção preventiva.
A campanha considera dados divulgados pelo Ministério da Saúde, segundo os quais em 2014, último dado disponível, o Brasil registrou 43,075 mil mortes e 201 mil feridos hospitalizados em função de acidentes de trânsito. Além disso, foram pagas 52,2 mil indenizações por morte e 596 mil por invalidez, acrescenta a assessoria de imprensa da CPFL Paulista.
Esse quadro colocaria o País como o 5.º colocado em número de mortes no trânsito, segundo o ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).