Polícia

Em menos de 5 horas, duas mulheres de Bauru sofrem tentativa de homicídio

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Agressores tiveram a prisão decretada; o policial militar, no entanto, permanecia foragido até o fechamento desta edição

Duas tentativas de homicídios contra mulheres foram registradas em menos de cinco horas, em Bauru, entre a noite de sábado e a madrugada de ontem. Um dos casos terminou com uma jovem de 22 anos ferida a faca, na barriga e no braço. Os golpes foram desferidos pelo atual companheiro dela por motivo de ciúmes.  O rapaz, de 20 anos, foi preso. A vítima foi atendida por uma unidade médica e liberada.

Já o segundo crime envolveu um policial militar em férias. Ele invadiu uma casa e atirou duas vezes contra a ex-esposa e o atual companheiro dela por não aceitar a separação. Por sorte, os tiros não atingiram o casal. Até o fechamento desta edição, o policial seguia foragido.

Cronologia
O primeiro crime ocorreu por volta das 20h de sábado, na região do bairro Vila Ipiranga. Segundo boletim de ocorrência, a vítima, de 22 anos, trabalha como promotora de eventos no período noturno. Ela teria sido impedida por seu companheiro, Marcos Nunes de Lima, de 20 anos, de sair para trabalhar naquela noite. O casal convive há três anos e possui um filho de 1 ano.

Durante uma discussão, o rapaz pegou uma faca de cozinha e a golpeou primeiramente na barriga. Na sequência, ele teria tentado desferir um golpe certeiro contra o peito dela, mas a jovem conseguiu reagir e se proteger. A facada, porém, acertou o braço dela. Nos relatos à polícia, a vítima contou que foi trancada em casa, mas conseguiu pedir ajuda a uma amiga por meio de uma mensagem de celular.

A Polícia Militar foi acionada e conseguiu surpreender o autor do crime. Com a chegada da PM, a jovem foi encaminhada para uma unidade médica. O autor do crime ouvido na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e, posteriormente, encaminhado para a cadeia pública de Avaí. Ele deve responder por homicídio qualificado tentado.

Outro caso
Quatro horas e quarenta minutos depois, no Jardim Panorama, outra tentativa de homicídio teve uma mulher como alvo. Dessa vez, o autor, um policial militar de 40 anos em férias, invadiu a casa da ex dele e do atual companheiro dela, ambos de 30 anos.

Segundo depoimento das vítimas à polícia, Emerson Alves tinha como objetivo matá-los. O acusado teria pulado o portão da casa, arrombado a porta da frente do imóvel com ajuda de uma arma e surpreendido o casal no momento em que ambos se preparavam para dormir. Ao perceber a presença do rival na casa, o atual companheiro da moça conseguiu fugir pela janela de um banheiro e se escondeu em um terreno no quintal.

Com receio de ser descoberto por vizinhos, o policial, então, fingiu ir embora em uma motocicleta e aguardou o casal sair da residência, o que aconteceu alguns minutos depois.

Ao vê-los saindo da residência, o PM se dirigiu até ambos, sacou a arma, efetuou dois disparos, fugindo na sequência. No registro policial, consta que as vítimas conseguiram se esquivar e os tiros acertaram um muro da casa.

Uma equipe da Polícia Científica compareceu ao local para realização de perícia técnica e apreendeu as duas cápsulas deflagradas. Até o fechamento desta edição, o policial acusado pela tentativa de homicídio qualificado ainda não havia se apresentado na Polícia Civil. O delegado plantonista Paulo Calil instaurou inquérito e solicitou a prisão temporária do acusado, que foi decretada na tarde de ontem. Para evitar constrangimento, o nome das vítimas foi preservado.


Sindicância

O policial envolvido na tentativa de homicídio registrada ontem de madrugada atua há 19 anos na Polícia Militar e há algum tempo, por conta de problemas de ordem familiar, recebia acompanhamento psicológico por parte da corporação.

Comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, informou que abrirá sindicância para apurar a conduta do policial. “Não dá para aceitar esse tipo de comportamento ainda mais por parte de um policial”, afirma Kitzaume. “Na verdade, é lamentável a violência contra a mulher, seja por parte de policial ou de qualquer cidadão”, reforça o tenente-coronel.

 

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