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| Para se ter uma ideia do que é a base de Gelão: o pé menor é o tradicional 39 |
Imagina gente que tem que conviver com o fato de não conseguir comprar um calçado porque o número é 48. Ou passar 27 anos da vida se sentindo um lixo por ser gorda. Ser detonada e chamada de “bananinha” por ser baixa. Ser cobrado por não ter virado jogador profissional de basquete (afinal, nem todo mundo que tem 2 metros de altura é, né?). Ou ainda passar a infância caindo na piscina sem tirar a camiseta por se considerar magro demais. Pois gente assim existe. E ao contrário do que possa imaginar, em vez de virar vítimas de uma situação genética que não escolheram para si, assumem seus atributos e fazem do fato de estar fora dos chamados padrões sociais uma ferramenta muito positiva.
Um magro interessante
“Minha autoestima aumentou bastante. Na verdade eu criei uma, porque eu não tinha. Acho que foi devido ao meu amadurecimento, aceitação depois de tentativas frustradas de fazer academia e, principalmente, de mais interesse feminino em mim quando comecei a perceber que minha magreza não fazia de mim um cara desinteressante e que eu tinha - e tenho - outras qualidades. Acabei percebendo que meu corpo fica em segundo plano.” A frase é do jovem João Pedro Godoy, estudante de jornalismo, 22 anos, que até alguns anos atrás não tirava a camisa por nada deste mundo. Ia a festas com piscina e não se jogava. Ou quando o fazia, era com roupa e tudo. “Entrava na água de camisa, não tirava por nada”, diz, hoje divertindo-se. “Hoje não, não ‘tô’nem aí. Jogo bola sem camisa na faculdade, tiro em piscina, praia, perto de amigos e amigas”, diz o jovem de 1m72 e 60 quilos.
E por sinal, João Pedro reconhece que é da sua genética ser assim. O pai também foi bem magro na juventude.
Uma grande mulher
“Não é fácil olhar para o que incomoda e aprender a conviver com aquela dificuldade de forma positiva. Eu me senti um lixo por 27 anos, como se eu fosse indigna de viver” . Quem diz isso é Paula Bastos, uma blogueira de sucesso no Brasil que com seu blog www.grandesmulheres.com ajuda milhares de outras acima do peso a se assumirem como gordas. E faz tanto sucesso que este mês estrelou uma campanha para a marca Dove com o mote “Beleza fora da caixa”. Fonte de inspiração para ajudar outras mulheres que, como a própria Paula Bastos, acreditam “que os padrões não definem a sua capacidade nem a sua beleza”, o slogan da campanha.
“Comecei a perceber que o meu peso não era um problema como eu achava: eu podia ter uma carreira, ser uma mulher bem-sucedida, atraente, feliz. Comecei a conversar comigo mesma diariamente reforçando que meu peso não definia o meu caráter, nem meus valores e menos ainda a minha capacidade”, diz dando uma injeção de ânimo a qualquer pessoa. Afinal, tudo o que se quer é ter uma autoestima bem desenvolvida, não é mesmo?
Uma vida cheia de altos e baixos
Para a pergunta “o que você deixa de fazer por ter baixa estatura”, Tatiana Pissolotto, dona de casa responde, sem piscar: “nada, meu tamanho não me impede de nada, não. Eu tenho um monte de escadas em casa para me ajudar”, diz, divertida. Tati conta que recebeu o apelido de “Tati Bananinha” - nada a ver com a assistente de palco do Luciano Huck, a Dani Bananinha, com quem, por sinal, antes de ter os três filhos, era bem parecida de corpo. “É o comparativo mesmo com a banana-nanica”, diz, bem-humorada. Ela tem consciência de que a questão é genética. E tanto por parte de mãe quanto de pai. “Não poderia ser diferente”. A mãe, Márcia Pissolotto, tem 1,50 metro. E a avó por parte de pai também tem os mesmos 1,50 metro da mãe. “Não poderia ser diferente, não é mesmo? Não dá para contrariar a força da natureza, mas sou feliz assim”.
Ser baixa, para ela e a mãe, não é problema. “Sempre tem um alto por perto, para pegar alguma coisa para mim lá em cima, diz a sua mãe, Márcia, sem querer abusar, “mas já abusando”, de Donato Fidelis, dono de esguios 2,05 metros. Donato é também de uma família de “gigantes”. Pai e mãe, altos. Seus dois irmãos esbarram nos quase 2 metros. E ele, o mais novo, ultrapassou a marca.
Venceu também outro estereótipo: o de que todos os altos são bons jogadores de basquete. “Às vezes, na rua, me confundem com jogadores do Bauru Basket”, conta, brincando. “Até tentei ser jogador, mas não era minha praia”, diz. Acabou sendo modelo (outro estereótipo) e em 2011 foi eleito o “Mister Simpatia Brasil”, mas se encantou mesmo pelos bastidores. Em vez de posar à frente das câmeras, virou fotógrafo e fez do “limão uma limonada”, como se diz no popular. Isso porque abriu uma empresa que se chama “Alta Fotografia”, numa clara alusão ao tamanho do dono do negócio e, obviamente, “à qualidade do trabalho”.
Pequenos ou grandes detalhes?
Lorrayne Farias (ao lado) e Leonardo Fernandes (foto acima, à esquerda), à primeira vista não têm nada que os coloque fora do chamado padrão. São altos, jovens e atraentes. Mas eles só reforçam a regra de que não deveria existir parâmetros.
Lorrayne que é, do ponto de vista métrico uma mulher magra, tem 1,71 metro e pouco mais de 50 quilos. Lorrayne come o que quiser, chocolate, bolo, doce sem ganhar um grama. Sonho de toda mulher preocupada com o peso. A despeito da inveja ela está feliz sendo o que se chama de “falsa magra”
Mas quem procura algo para comprar e não encontra sabe o drama que é. Que o diga Leonardo Fernandes. Do alto do seu 84 quilos bem distribuídos em 1,97 metro, o atleta de polo aquático não tem problemas com o vestuário. O seu digamos assim, diferencial, está nos pés. Gelão, como é conhecido, calça aos 19 anos, 48. “A maioria das lojas não tem minha numeração. Não consigo comprar tênis, sapato, só chinelos, quando acho”, diz aos risos. “E sofro com isso desde pequeno... Sempre fui alto para minha idade e meu pé maior ainda. Sempre me zoavam na escola, mas hoje não, até me ajuda na água”.
