Um dia me disseram que mulher era diferente de mim, inferior, oposta a postos, às vezes, sintático aposto, com vírgulas, não era para brincar, não era para se relacionar, não era para sentar próximo à carteira, era ser para desconhecer, sexo sem nexo, homem é foda, mulher é de roda, homem é de bola, mulher de boneca, homem é de amigos, mulher, de fofoca, homem é figura, mulher, esboço, homem é dinheiro, mulher é cabeleireiro, homem é pescaria, mulher é shopping, homem é futebol, mulher é vôlei, homem é desejo, mulher é preliminar, homem é fálico, mulher é cefálico, homem é carro, mulher é trombada, homem é pinga, mulher é martini, homem se acha no poder, mulher no obedecer, homem é marido, mulher é mulher!
Mentiram para mim, iniciaram estuprando a minha mente, estupraram a igualdade, estupraram minha chance de ser esse ser, estupraram meu recém e me tornaram refém, estupraram meu respeito e desejaram peito, estupraram meu órgão e me deixaram sem acórdão, disseram-me que tenho pipi para colocar ali, estupraram meu recatado e descarado beijo e tornaram libidinoso e escandaloso desejo!
Estuprei as linguagens que poderia ter lhe dito, mulher! Estuprei meus sonhos que tive com Eva ou Pandora ou Frida ou Simone! Estupraram-na do Paraíso, estupraram-na para não ser Ela, estupraram-na na Favela, estupraram-na no Mundo com negação, com privação, com prefixo, prolixo, lixo, que se metamorfoseou Imundo! Perdão, Mulher!