Tenho acompanhado com interesse a crise política brasileira. Vejo argumentos de ambos os lados. Os que defendem a saída definitiva da presidente e os favoráveis à sua permanência.
Acompanho também a crise econômica, como desdobramento da política por contaminação desta. Não sou formador de opinião, tampouco ambiciono sê-lo. Mas de todas as opiniões que tenho visto, a que coloca a culpa da crise nas commodities é a mais estapafúrdia e patética de todas, reproduzida aqui neste conceituado veículo pelo sr. Carlos D’Incao, professor da USP. Eu pergunto: qual seria esta maléfica matéria-prima? Seria o café, o açúcar, o petróleo, o carvão, minério de ferro? Qual?
A esquerda brasileira sempre colocou e coloca a culpa de nossas mazelas em alguém ou algo. Nós, como sociedade, nunca assumimos os próprios erros, logo não temos responsabilidade, assim sempre tivemos grandes obstáculos em resolver nossos problemas. Os nossos problemas já foram a remessa de lucros, o FMI, EUA, perdas internacionais, capital especulativo (este está em todos os lugares do mundo), as multinacionais etc. O problema é sempre externo.
O que a esquerda não consegue controlar, eles desmerecem e até desprezam. Qual democracia interessa? Qual o capitalismo interessa? É simples a resposta para ambas as perguntas: aqueles que eles podem controlar. Fugiu do controle, desprezo é o tratamento.
Afinal, qual a democracia que vociferam as esquerdas e o que lhes é palatável? Aquela que lhes reservam mais direitos que aos demais. E quanto ao capitalismo? Eles controlam através do Estado e distribuem vantagens aos amigos. Não é o Estado racional-legal, como propõe Weber, mas o Estado do compadrio, da mamãezada, das relações fraternais. Aos amigos todos os benefícios econômico-fiscais sob a proteção do Estado, aos demais que se submetam à concorrência e às leis da oferta e demanda.
Lugar comum, caro professor, é você ficar atribuindo a culpa dos problemas nacionais ao alheio. Aliás, este discurso é ultrapassado, da velha esquerda já enterrada, desde os respeitáveis Caio Prado Júnior, Celso Furtado, entre outros.
Portanto, professor, deixe a soberba de lado, típica das esquerdas, pense sem viés ideológico, e verá que a presidente Dilma é algoz de si mesma, seja pelas escolhas que fez, a ausência de autocrítica e a inaptidão para o diálogo político, fatais para perda do seu mandato. A História dirá.