Ao assistir a uma das revistas eletrônicas no domingo à noite, vejo a matéria sobre uma menininha que desenvolveu um tipo de glaucoma infantil, e quase que como sempre os pais não têm condições de realizar os procedimentos para a cura. Porém, alguns procedimentos já foram feitos, inclusive após a venda da casa e do carro da família, sem muito sucesso.
O caso é serio e no Brasil já não se tem mais recursos. Uma boa alma, brasileira, que reside e auxilia pacientes nos EUA, intercede junto a especialistas naquele país para que uma nova cirurgia ocorra, a família lança sua história nas redes sociais e logo consegue algumas dezenas de mil reais, não para o custo com a cirurgia, que será de graça, mas para viagem e estadia.
Aqui temos o 1º foco da ambiguidade do brasileiro: uma jovem senhora que reside e auxilia pacientes fora de seu país e o povo, solidário, de bom coração, capaz de se comover em uma rede social e fazer uma arrecadação, ou melhor, uma boa ação em prol de um desconhecido.
Contudo, no dia seguinte, vejo no JC uma nota onde é feita a despedida de uma cientista do país, por conta da falta de reconhecimento, investimento e má gestão por conta de governantes que talvez nem saibam o que é ciência. Como dizia o papa Paulo VI e hoje nos repete o papa Francisco, “A política é a maior forma de caridade”. Então, como pode esse mesmo povo brasileiro, ao tornar-se uma pessoa política, esquecer-se de tudo isso? Essa generosidade, essa caridade, ou mesmo a preocupação com o outro, para onde vai?
A pessoa se esquece e consegue olhar apenas para seu próprio umbigo, ou o umbigo daqueles que lhe interessam, ou que lhe podem retribuir favores? Aqui temos o 2º segundo foco da ambiguidade, ao ver uma criança com a visão restrita, poder olhar e reconhecer a mãe, a qual conhecia apenas pelo tom da voz, é mesmo uma coisa emocionante, imagina poder ver várias crianças não apenas com problemas visuais, mas com tantos outros, superados, deve ser mais gratificante ainda.
Imagina poder dizer que foi você, através de um projeto, ou até mesmo pela liberação de verba para tais obras?