| Edson Lopes Jr./Divulgação |
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| A prefeitura de Jaú decidiu cancelar o programa “Mulheres de Peito” que deveria começar nesta terça (31). |
O programa do governo do Estado “Mulheres de Peito” foi cancelado pela prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru) sob a justificativa de que a atividade poderia se caracterizar um ilícito eleitoral. A decisão foi tomada na última segunda-feira (30), antes da chegada da carreta móvel ao município que ficaria estacionada na Praça Dr. Luciano Pacheco de Almeida Prado Netto (praça do museu) até o final do mês.
A presidente do Sindicato da Saúde de Jaú e região (Sindsaúde), Edna Alves, criticou a suspensão do programa pela administração municipal e defende a vinda da carreta em convênio com outra entidade. “Um absurdo. Só tenho a lamentar que uma questão política impeça milhares de mulheres serem examinadas para ver se tem câncer de mama”, afirma.
Até a segunda-feira (30) havia cerca de 200 exames pré-agendados. A prefeitura informou que o programa será realizado no município depois das eleições municipais.
Em 2016 as carretas do programa já passaram por mais de 40 cidades localizadas na região metropolitana de São Paulo, no interior e no litoral. Desde o início de 2014, as carretas já estiveram em 68 locais. Nesse período, mais de 44 mil mulheres puderam realizar gratuitamente exames de mamografia, ultrassom e biópsia, que permitem o diagnóstico precoce da doença. Desse total, 601 pacientes foram direcionadas a centros de referência que integram a rede oncológica de SP para prosseguimento das investigações de alterações identificadas nos laudos.
O secretário municipal de Economia e Finanças de Jaú, Luís Vicente Federeci, explicou nessa terça-feira (31) ao JC que a decisão do cancelamento ocorreu após a assessoria jurídica do município analisar a Lei nº 9.504 de 1997, que trata especificamente das vedações no período eleitoral. “Como essa carreta não veio o ano passado e neste ano seria levar os exames gratuitos de mamografia à população, isso poderia ter uso político por parte de vereadores e demais candidatos. A nossa preocupação foi não criar qualquer tipo de desequilíbrio nas eleições vindouras, por isso houve o cancelamento”, explicou.
De acordo com ele, se o serviço tivesse sido prestado nos últimos quatro anos não haveria impedimento. “O problema é criar esse fato novo no período eleitoral, ainda que o governo do Estado não esteja na circunscrição do pleito, qualquer atitude do Estado a um candidato pode caracterizar essa conduta vedada”.
A administração temia aplicação de multas ou até mesmo eventual pedido de cassação do candidato eleito.
ESTADO CONFIRMA
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde confirma que a vinda da carreta foi cancelada a pedido do prefeitura. “Orientamos a reportagem a procurar o município para mais esclarecimentos. Em relação ao agendamento prévio de pacientes via telefone, esclarecemos que o programa ‘Mulheres de Peito’ trabalha com demanda espontânea, com distribuição de senhas e atendimentos no próprio dia”, completa o comunicado emitido pela assessoria de comunicação.
‘Prejudica as mulheres’
| Éder Azevedo/JC Imagens |
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| Edna Alves discorda da suspensão da carreta móvel do “Mulheres do Peito” em Jaú |
A presidente do Sindicato da Saúde de Jaú e Região, Edna Alves, criticou a suspensão da vinda da carreta a Jaú. Para ela, trata-se de decisão “política” da prefeitura. “Um absurdo. Só tenho a lamentar que uma questão política impeça milhares de mulheres serem examinadas para ver se têm câncer de mama. Por que o prefeito decidiu fazer isso?”.
A sindicalista diz que a medida vai prejudicar mais de 2.000 mulheres de 30 a 80 anos que poderiam fazer o exame de mamografia de graça durante o mês de junho. “Parece que o prefeito pensa mais na reeleição dele do que na saúde das mulheres da cidade”, questionou.
Em 2014, conforme o relatório do Conselho Municipal de Saúde, quando a carreta esteve em Jaú, foram realizados 1.582 exames de mamografias em faixa etária de 30 a 80 anos com solicitação médica. “O relatório mostra que foram rastreados 26 casos suspeitos, sendo 3 compatíveis com câncer e 23 altamente suspeitos para câncer”, afirma Edna.
A sindicalista defende que a carreta poderá vir para Jaú sem parceria com a prefeitura. “O sindicato está à disposição para tentar achar uma saída. Já falamos com dirigente de hospitais da cidade, que aceitaram ceder o estacionamento para abrigar a carreta”.
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