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A economia tem de descolar da política

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

É um tema recorrente, entretanto, se faz necessário voltar ao assunto à medida que o país continua observando a deterioração dos indicadores econômicos. Com as ações do Ministério Público e da Polícia Federal, como delações premiadas e acordos de leniência, somados a outras ações visando coibir o avanço na corrupção no Brasil, a questão política não sai de cena.


A Lava Jato e a operação Zelotes são exemplos de denúncias importantes e tem muito mais vindo por aí. Além disso, há no Supremo Tribunal Federal 138 apurações em alto grau de sigilo envolvendo políticos de todas as patentes. Espera-se ainda a lista de envolvidos com a Odebrecht, uma vez que seu ex-comandante, Marcelo Odebrecht, deve delatar mais de 300 políticos que foram “agraciados” com algum tipo de propina. Observaram que os fatos políticos não deixarão a cena tão rapidamente? É o preço da democracia, o que representa um grande avanço. Contudo, a economia tem que descolar destas questões.


Os números falam por si. O desemprego atingiu 11,2% da população economicamente ativa. São mais de 11,4 milhões de brasileiros buscando recolocação no mercado de trabalho, e se a coisa continuar no caminho atual, potencialmente serão 14 milhões em curto espaço de tempo. O País está mergulhado na recessão. Mês após mês a queda no nível de atividade econômica é evidente. O número de empresas em recuperação judicial cresce a olhos vistos, sendo que o endividamento destas ultrapassa os R$ 120 bilhões. Neste ambiente de incertezas, ainda é preciso combater a carestia com elevadas taxas de juros, engessando ainda mais a já engessada economia nacional.


Há uma sinalização de recuperação em curso, com o anúncio das primeiras medidas da equipe econômica comandada por Henrique Meirelles. A atual equipe econômica merece crédito, mas não atuará sozinha. Depende do Congresso, ou melhor, depende da concentração do Congresso brasileiro nas questões econômicas. Se a cada momento o foco for a defesa deste ou daquele político, se mudar a pauta de votações para resolver problemas deste ou daquele deputado ou senador, o País continuará patinando.


Obviamente que não estou aqui preconizando a impunidade, longe disso, por sinal, é hora mesmo de passar o País a limpo, doe a quem doer, mas é preciso tentar ao menos fazer a pauta econômica caminhar.


O tempo perdido não tem mais volta e somente conseguiremos encurtar o tempo de recuperação da economia se as lideranças políticas derem foco total às questões econômicas. Não é nem questão de escolha, é questão de salvação, de todos, sem exceção!


O autor é economista e articulista do JC

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