Na manhã cinzenta deste sábado (4), por volta das 11h, em São Paulo, foi enterrado o menino Italo, de 10 anos , morto a tiros por policiais militares após furtar um carro na zona sul de São Paulo na última quinta-feira.
Tanto o enterro quanto o velório ocorreram no cemitério São Luiz, próximo ao bairro do Capão Redondo, na zona sul. De acordo com um integrante da administração, vítimas de homicídios estão entre os casos mais encaminhados a esse necrotério, na periferia da capital.
Do lado de fora da sala em que ocorria o velório, era possível ouvir os gritos de lamentação de Cintia Francelino, 29, mãe do menino.
“Quero só justiça, já falei tudo o que tinha pra falar. Eles atiraram no meu filho, depois esfregaram a arma na mão dele”, afirmou Francelino após o enterro.
Durante o cortejo, os cerca de 40 familiares e amigos gritavam por justiça: “Mataram uma criança, gente, é uma covardia.” Não havia representantes do governo nem da sociedade civil. O clima era de desconfiança em relação à imprensa no local.
A avó de Italo precisou ser colocada em uma cadeira de rodas para que acompanhasse o cortejo até a cova em que o menino foi enterrado, pouco antes das 11h.
Coube a Italo a terceira de uma longa fila de covas pré-cavadas. Sua mãe ajoelhou-se na terra úmida e agarrou-se às flores deixadas em memória do filho. Só saiu de lá quando parentes a levantaram contra sua vontade.
Sidnai Santos Batista, vizinha da família de Italo na comunidade do Piolho, no Campo Belo, disse que seria impossível Italo estar armado, e que a família do menino de 11 anos que também participou do furto está sendo vigiada pela polícia. “É para não falarem mais nada.”