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| Bruna Honório contou sobre carreira e vida pessoal ao JC |
Ela chegou a Bauru no ano passado, para integrar o elenco da estreia do time profissional de vôlei de Bauru, o Concilig, na elite nacional. Depois de disputar três temporadas pelo Rio de Janeiro, com o técnico Bernardinho, Bruna Honório da Silva (agora, Marques, com o nome de casada), nascida na zona leste de São Paulo, na verdade, retornou às suas origens, em Agudos, onde morou por toda a infância e onde está sua família.
Tímida, Bruna, que joga na posição oposta, tem 1,80 metro e completou 26 anos. Ela começou no vôlei com 13 anos e logo saiu para jogar, passando por equipes de ponta em cidades como Uberlândia (MG), Piracicaba, Rio de Janeiro, São Paulo, Brusque (SC) e São José dos Campos. “Poder estar junto da família é sempre muito bom e conseguir realizar isso depois de 12 anos longe, e ainda jogando em alto nível, foi fator crucial para a minha decisão. Jogar com a família e amigos por perto é ainda mais empolgante”, afirma a atleta.
Sob o comando do técnico Bernardinho, a atleta conquistou o tricampeonato da Superliga (2012/13, 2013/14 e 2014/15), o sul-americano de clubes (2014), em que foi eleita o melhor bloqueio da competição, e o vice-mundial de clubes em 2012.
O projeto Bauru na vida de Bruna teve significativo capítulo no mês passado. Ela ainda está em lua de mel do casamento com Vinicius Marques, 30 anos, que também atua no esporte de alta performance, mas no polo aquático. Dos pais, ela conta que leva o jeito sentimental, que chora fácil, do pai José Paulo Honório da Silva, e o lado guerreiro da mãe Marinez Rodrigues da Silva.
Do Rio de Janeiro, onde curte os últimos momentos da folga para curtir o casamento (ela se reapresenta à equipe para treinar amanhã), Bruna Honório cedeu fotos da cerimônia de casamento e de cenas pessoais da lua de mel para compor a conversa com o JC. Confira:
Jornal da Cidade - Como você começou no esporte?
Bruna Honório - Comecei com 13 anos, em Agudos. E ai joguei um ano e já recebi convite pra jogar fora. E nunca mais tinha jogado por aqui, apesar de ter minha história ligada à região. No ginásio é que eu fui convidada para jogar. Uma colega da escola, a Bruna, de Agudos, foi quem me incentivou a jogar. Eu era muito, muito tímida. E demorei um pouco para ir ver como era. Mas foi só jogar a primeira vez para ser amor à primeira vista. Meu estilo de jogar é mais quieta, mesmo na quadra sendo o tipo que gosta de ir pra cima do adversário. O vôlei para minha vida foi uma paixão e eu escolhi desde cedo. Eu era a caçula. Agora tenho dois irmãos. Em casa, eu sempre tive apoio e isso também fez muita diferença. Minha mãe, uma época, disse que estava com muita saudade, mas adaptamos.
JC - Conciliar estudo com esporte exige o que?
Bruna - Nunca parei de estudar, mesmo jogando. E tem atletas que não conseguem conciliar. Eu, particularmente, não consegui ainda fazer a faculdade. Mas até completar o ensino médio foi super bem. É que, em competição de ponta, os horários dos treinamentos são específicos e é bem puxado. Fica muito difícil fazer as duas coisas bem. Pelo menos, por enquanto, não dá para conciliar. Mas ainda quero fazer faculdade. Você treina de manhã, à tarde, tem viagens para fora, muitas para outros Estados. Mas tenho vontade de fazer psicologia.
JC - Já que você citou psicologia, qual o peso do controle emocional no esporte?
Bruna - Faz total diferença. Você tem de ter um controle mental superior. E o vôlei é um esporte de montanha-russa emocional. Você está dois, três pontos à frente e, em seguida, está atrás. A busca da superação em instantes é um fator fundamental. E por isso é também um esporte apaixonante. A cabeça pode te levar longe durante o jogo, digo ir muito bem, mas também pode te derrotar fácil. Tem alguns técnicos que têm esse dom de saber o que falar na hora, ou até mesmo apertar, sentir o momento na hora. E isso é um dom de alguns, faz parte do perfil de alguns técnicos.
JC - Você reage mais recebendo bronca, ou na boa?
Bruna - Olha, minha vida inteira eu sempre fui chacoalhada. Então eu levo na boa. E reajo bem com os apertões do técnico no jogo. Pra mim, funciona bem. E acho que eu até preciso de um empurrão, prefiro que me cutuquem, para que eu continue me exigindo o tempo todo ao longo do jogo. Mas tem gente que, se cutucar muito, sai totalmente fora do jogo. É o perfil de cada um. E tem o fator de controle depois do jogo. Se o jogo foi bom, você fica com aquilo dois dias até na cabeça. E ajuda na outra partida. Mas, se vai muito mal, fica remoendo. E é preciso saber lidar com isso. Apagar o que ficou como fator emocional e aprender com os erros. Agora eu sou muito aberta para receber críticas e elogios. E acho que isso ajuda muito no desenvolvimento do atleta.
JC - Jogar no Interior é como pra você, que jogou muito em grandes centros?
Bruna - Olha, eu sempre quis jogar no Interior. Sempre quis voltar. Não só pela família, que é fundamental, mas pela proximidade com tudo e todos. Eu gosto muito da vida que tenho com mais tranquilidade aqui. Mas eu queria voltar em alto nível. E pra mim fui muito bom jogar fora no começo. Mas eu amo Agudos e a cidade onde moro. Eu pego o carro e em 15 minutos eu estou no treino todo dia. E também volto em 15 minutos pra casa todo dia.
JC - O que você espera das Olimpíadas no Rio em agosto e da preparação do Concilig para a próxima temporada?
Bruna - O time está se reestruturando em função do plano traçado e para ter a cara do Marcos Wieck, que é um técnico de ponta, super respeitado no meio. Quanto a Olimpíadas, o fato de ser em casa gera muita expectativa. O time certamente será muito bom, porque está na ponta há anos. E tem uma pressão nisso, mas a Seleção acho que saberá tirar bom proveito de jogar em casa, no País. Nos últimos oito anos, o ciclo do vôlei montou uma base muito boa e isso torna um grupo bem conhecido e com padrão de jogo. É difícil se manter na ponta.
JC - O que você faz fora das quadras?
Bruna - Eu fico com minha família. Eu estava dez anos fora. E agora, aqui, eu fico muito perto dos familiares. Com a família e o casamento, isso está sendo muito bom de curtir. Sou muito sentimental e sou mais meu pai, que chora fácil. Minha mãe é mais guerreira e segura melhor as pontas.
Perfil
Bruna Honório Marques
Tem 26 anos, canceriana
Gosta bastante de filmes de dança. Como não podia deixar de ser, o vôlei também está entre os seus livros preferidos. Além de “O Segredo”, sua obra de cabeceira é “Transformando Suor em Ouro”, do técnico Bernardinho.
Nota 10: “Para o projeto que o Claudio Zopone faz na Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA). É um exemplo”, diz.
Nota 0: “Para a educação. Como lidamos muito com crianças no projeto, vemos como a educação ainda é falha”.
E-mail: brunnahs@bol.com.br
