| Douglas Reis |
![]() |
| Benjamim: diagnóstico empresarial é ferramenta imprescindível quando a empresa está na ‘UTI’ |
O empresariado brasileiro sabe ou está preparado para sair do meio do olho do furacão da crise econômica para salvar seu negócio? Mais do que isso, o empresário tem feeling, bagagem e estrutura, inclusive emocional, para tomar decisões sadias e optar por caminho de sobrevivência depois que já entrou no circuito vicioso no mercado, com queda de faturamento e produção e acúmulo de dívidas?
Pois a crise, situação negativa para muitos, é exatamente o foco principal de atuação de analistas especializados. Em Bauru, o profissional Fernando Benjamin explica como funciona o serviço de diagnóstico empresarial para a reestruturação do negócio depois que a empresa entra na “UTI”.
“Nosso trabalho vai além do diagnóstico financeiro e estrutural da empresa. O plano de reestruturação foca exatamente a gestão em crise. Com a crise, aperta o cerco para a dificuldade de acesso ao crédito. E no meio das dificuldades é comum ver bons negócios se perderem por falta de estratégia ou preparo. Meu trabalho é entrar na empresa para o diagnóstico empresarial, industrial, comercial, de contas, formação de preços, estratégias, modos de produção e rotinas de funcionamento. Não adianta atacar isoladamente apenas o mapa financeiro”.
Para tanto, Benjamim cita a necessidade de quebrar paradigmas. “O empresário erra acumulando uma série de problemas de gestão, até que chega ao limite. E ele é imediatista. O empresariado nem sempre sabe dimensionar qual sua posição no olho do furacão. E sob pressão, também não tem estrutura para enxergar as saídas. A montagem do plano de reestruturação leva em conta ações específicas para os diversos subsistemas da empresa, vendas, compras, custos e despesas, gerenciamento financeiro, relacionamento com clientes e fornecedores, negociações de débitos tributários e bancários. Mas o plano também envolve a revisão dos sistemas informatizados operacionais e gerenciais.”
Benjamim, que representa o Continental Banco em Bauru, sustenta que é muito comum as empresas apresentarem problemas no fluxo de comunicação e no controle interno. “Ainda há muito amadorismo na ação de mercado. E também muita empresa funcionando com base no que o antepassado fez, que deu certo naquela época, mas que não está dando certo agora e o dono não enxerga para mudar, ou não quer mudar. O software de controle empresarial é algo bastante deficiente em muitos negócios. E sem dados e controle, o negócio sucumbe mesmo que seja atrativo”, afirma.
Outra “deficiência” comumente encontrada em empresas, conforme o especialista, é a ausência de estratégias de ação de curto, médio e longo prazos e de apresentação de cenários. “Se não há implantação de fluxo de caixa e software de controle como ferramenta de gestão empresarial, também não é incomum ver ausência de fluxo de caixa flexível para simular situações e apoiar nas negociações com credores”, indica.
Mas Benjamim reforça: não existe receita pronta. “Para cada situação apontada no diagnóstico empresarial existe uma necessidade ideal para alavancagem do negócio. Em alguns, a necessidade é buscar capital de giro, em outros a alavanca é o fomento mercantil. O plano para tirar da UTI também exige ações em outras frentes, como repactuação com instituições financeiras para estruturar pagamentos de acordo com o fôlego de cada negócio.”
O diagnóstico leva duas semanas e ação pode levar no máximo 1,5 ano “É que, em geral, o empresário apela para o diagnóstico especializado quando já está com a corda no pescoço. E depois de um ano, com o plano aplicado corretamente, ele já começa a sair do sufoco. E é comum não durar mais que um ano e meio e o empresário já se considera livre da crise e dispensa o trabalho de reestruturação”, finaliza.
‘Investir em empresas ‘quebradas’’
O brasileiro não tem em sua cultura empresarial, e ainda em menor escala entre os trabalhadores, a estratégia de investir em empresas ou ativos que pertencem a companhias em dificuldades financeiras. Engano. Quem não sabe, deveria aprender a detectar cenários favoráveis e, com isso, ganhar um bom dinheiro. É o que garante Fernando Benjamim.
“Dentro de um planejamento estratégico bem elaborado, uma alternativa interessante é a substituição do passivo a curto prazo para um passivo a longo prazo, alongando o perfil da dívida, de forma saudável, através de uma operação fácil de estruturação através da desmobilização de ativos, capital de giro com garantia imobiliária e operação através de fundos de investimentos nacionais. Mas no Brasil não há a cultura de colocar dinheiro em quem está endividado. O que é um erro. Existem opções de negócios seguros, com garantias, para investimentos em ativos em quem está em dificuldades”, sugere o executivo em gestão empresarial.
Para exemplificação, ele comenta que a operação, guardadas as dificuldades em que as empresas e seus sócios se encontram, “podem ser feitas de forma a atender a necessidade na pessoa jurídica ou física tendo prazos de pagamento de 84 a 120 meses, com taxas competitivas comparadas às expectativas de hoje no mercado”.
No mercado, esse tipo de investimento é realizado por fundos chamados de “distress”, especializados nas empresas em crise. “Estamos atendendo novos fundos interessados naquelas empresas com necessidade de gestão e capital que possam ser transformados em grandes negócios”, fala.
E como funciona isso? O fundo de investimento empresa injeta capital, assume a gestão interina e implementa programas de reestruturação financeira. A ação inclui renegociar dívidas e elaborar plano de recuperação judicial. “O objetivo do negócio é sanear e preparar empresas na obtenção de maior valor de mercado, isso se o interesse for vendê-la”, explica.
Ou seja, o empresário assume um contrato ancorado em garantias e plano de retorno. Mas, como está naufragando, ele vai permitir que a implementação das ações necessárias seja realizada pelos especialistas indicados pelo investidor. Ao final dessa gestão de recuperação, o “timoneiro” volta para as mãos do empresário. “Todas essas situações, de garantia, nível de investimento, plano de recuperação e ações, são firmadas em contratos sólidos. (Leia mais nesta página).
Formas de participação
Segundo o Grupo Benjamin, nos EUA e Europa os investimentos em empresas ou ativos de companhias com dificuldades financeiras superaram US$ 2 trilhões em títulos de empresas de alto risco (high yeld), em distress. Por aqui, os negócios devem atingir RS 1 bilhão no segmento.
As formas de participação desses fundos são diversas. “Um investidor compra títulos de um banco contra uma empresa em recuperação judicial para poder entrar no capital da empresa e interferir na condução do plano de recuperação ou mesmo fazer a conversão do título, com vantagens no recebimento”, explica.
O recebimento poderá se dar em ações, terrenos, galpões, marca, opções chamadas de equity. As opções valem tanto para a lei de recuperação como de falência. “Nesse caso, o fundo investidor pode mirar diversos objetivos específicos, onde o mais saudável é recuperar a empresa e vender depois saneada, com lucro. Nosso leque de investidores conta com diversos fundos com esse interesse, pois eles atual de forma profissional, entendem os riscos e sabem como blindar suas operações com diversas garantias que permitem receber os valores investidos. Nesse setor a especialização é peça chave. Não é possível amadorismo nisso”, completa Benjamim.
