O governo interino de Michel Temer começará a próxima semana com mais uma crise interna na Esplanada dos Ministérios. Nomeado para chefiar a AGU (Advocacia-Geral da União), Fábio Osório entrou na bolsa de apostas do Palácio do Planalto como próximo ministro que pode ser exonerado do cargo.
O peemedebista pretende se reunir hoje com o advogado-geral para discutir sua situação na pasta. A reclamação principal se deve à postura do ministro no imbróglio jurídico envolvendo o comando da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação). O Palácio do Planalto pretendia no mês passado publicar uma medida provisória acabando com o estatuto atual, extinguindo o conselho curador e reformulando o formato da emissora de televisão.
O objetivo era, além de diminuir o tom ideológico do canal governamental, evitar contestações jurídicas sobre a demissão do jornalista Ricardo Melo, afastado do cargo de diretor-presidente pela gestão interina.
Segundo relatos, o ministro segurou a iniciativa para fazer uma melhor análise técnica das mudanças e considerou que havia chances reduzidas de a Suprema Corte acatar um recurso da antiga direção.
Na última quinta-feira contudo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli concedeu liminar autorizando o retorno ao cargo de Ricardo Melo, considerado adversário político do novo governo.
Além do ministro ter adotado uma decisão avaliada como equivocada por assessores presidenciais, desagradou o peemedebista o fato de Fábio Osório ter viajado para participar de evento em Curitiba na semana do ocorrido, em vez de ter ficado em Brasília para liderar a estratégia jurídica.