Esportes

Perdidos num mar de senhas

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Gabriel Martins, Alex Costa e Aldo Paciello

A crescente adoção dos sistemas computadorizados pelos bancos trouxe uma evolução: os cartões eletrônicos e, com eles, a senha alfanumérica. Com inúmeros benefícios para a sociedade, esses cartões agilizaram a vida de muita gente e a segurança das pessoas. Tanto que muitos passam dias sem sequer colocar a mão em uma nota de dinheiro. 

Só que o número de senhas que temos que memorizar aumenta a cada dia. É do banco, do cartão do INSS, do cartão-cidadão, do computador, do celular, do roteador de internet, do wi-fi, sem falar do e-mail ou melhor, dos e-mails, e o pessoal e o do trabalho. Ah! Tem também a senha dos diversos aplicativos e das redes sociais, o Facebook, o Instagram, o Twitter, ufa! Chega! Viver num mar de senhas, com certeza, é diferente para cada geração.

 

Mantendo a privacidade

O mundo digital é deles, dos jovens. E mesmo quem já passou dessa fase sabe que entre eles impera a linguagem da “zoação”. Imagina no universo digital, onde muitos se escondem atrás do anonimato.  Assim é que apareceu o ciberbullying, que assim como o bullying é também uma forma de violência. A diferença é que acontece no espaço da Internet. Para proteger o jovem de ser vítima (ao menos em parte), uma senha é fundamental: a de entrada do celular. Imagina deixar o seu aparelho na sala de aula sem estar bloqueado? “É brincadeira jocosa dos amigos na certa”, constatam Gabriel Martins e Alex Costa, usuários convictos de celulares, para quem ter senha é uma questão de honra: “Sem ela, não vira”, dizem.

Fugindo da modernidade

Apesar de ter só 30 anos, Adriano Ohouan teima em não se render à modernidade. Ao lado do pai, Tadaci, o comerciante trabalha em feira de orgânicos. “Os frequentadores daqui já não gostam de andar com dinheiro, sei que é uma questão de segurança e conforto, mas além de ter que pagar a máquina, há os custos da operação financeira e trabalhamos com um produto perecível, cuja margem de lucro é muito pequena”, diz resignado,  sabendo que vai ter que mudar de postura já, já. “Não vai ter jeito.” Com ele concorda “seu Tadaci”  - “o certo é Tadashi erraram na hora de me registrar” explica -,  que já andou muito com a senha dos cartões bancários na carteira, junto dos cartões (nada recomendável). 

Desafiando a paciência

Mas quem optou por não usar a tecnologia  não tem do que reclamar, tem? Nada disso, diz Aldo Paciello, 79 anos, promotor de vendas. Ele reclama de ter que tirar senha e esperar para se servir no restaurante onde almoça. No  caso de banco nem fala, o uso da tecnologia e das senhas é compulsório. Mas nas farmácias as filas desafiam a paciência. “A gente fica lá esperando para ser atendido, com a senha na mão. Bom era antigamente, quando chegava e já havia um balconista para nos atender ”.

Na ponta do dedo

Eliana Nunes Machado, 43 anos, vendedora, é daquelas que usa tecnologia de última geração. E não tem o menor receio de que seu celular possa ser bisbilhotado, por exemplo, pelo marido Charles. Para acessá-lo, somente com o polegar do dono deixando a sua impressão digital, a tal senha biométrica.  “Mas também não tenho o que esconder”. Por outro lado, a recíproca não é tão verdadeira. Quando a encontramos em horário de almoço em uma lanchonete ao lado de amigos e contamos o motivo da reportagem ela desatou a rir. Na sequência explicou: “acabei de contar para eles (o casal de amigos) que descobri a senha do e-mail do meu marido”.  E agora que a gente vai publicar que você sabe qual é? “Ele conhece a esposa que tem”.

Dividindo com a cara-metade

A operadora de telemarketing Gabrielli Torres Callegari, aos 19 anos já é mãe de uma filhinha de 4 anos, de quem precisa esconder o celular. “Ela é tão esperta que já conseguiu descobrir a minha senha e bagunçou tudo. Mexe em tudo, acessa joguinhos pagos já chegou a deletar fotos importantes”, conta ela lembrando que só a senha não ajuda muito, porque até isso ela já descobriu. Por outro lado, Gabrielli é daquelas que divide tudo com o marido. Tanto que um tem a senha do celular do outro. “É uma questão de confiança”.

Boas senhas

Luiz Alfredo Marques, coordenador de Informática dá algumas dicas que ajudam na hora de escolher senhas chamadas fortes. “Nunca devemos utilizar datas de nascimento, sequência de números como 123 etc., nomes comuns como Brasil, nomes de times, pois existe um banco de dados hacker com estes nomes mais comuns”, diz. Explica que as pessoas devem diversificar. “Não utilizar como senha o nome de login, por exemplo: login Dulce senha Dulce”.

Sempre utilizar, quando possível,  letras e números nas senhas, alternando as letras em maiúsculas e minúsculas, e caracteres especiais como o @ e ! que aumentam em muito o tempo para quebrar a senha”.  Outra dica dele: pode-se utilizar um método de digitar aleatoriamente no teclado e escolher uma sequencia mais difícil mesclando com números e caracteres especiais. “No  caso de aplicativos de  bancos, que só permitem números, o ideal é utilizar um sistema que possua 2 senhas para validar a transação, como token ou outro dispositivo que melhore a segurança.”

Hacker

Hacker é uma palavra em inglês que indica uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento de informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema. Hack significa cortar alguma coisa de forma irregular ou grosseira. O verbo aportuguesado “hackear” acabou sendo sinônimo de quem sabe quebrar senhas com objetivos de usar as informações obtidas para crimes, subornar a vítima,  ou simplesmente pelo prazer de invadir a rede de alguém.

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