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As instabilidades climáticas e suas influências na economia e vida social

Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

Não é de hoje que as mudanças climáticas têm sido temas incansáveis de debates e movimentos ambientalistas nas tentativas de explicar as consequências dessas alterações ambientais na economia, na vida social das pessoas e no ecossistema do Planeta.


As mudanças ecossistêmicas foram percebidas em meados da década de 1970 e ganharam grande impulso na década de 1990. Nos anos 2000 os debates começaram a ganhar proporções empresariais e político-partidárias através do Green Marketing ou Marketing Verde. As alterações climáticas têm ocasionado catástrofes ambientais de inundações, nevascas, secas estorricantes e o que tem se tornado mais nítido são as inversões meteorológicas regionais, como vem ocorrendo no Sudeste brasileiro.


O mês de junho, na região Sudeste do Brasil, sempre foi de clima frio e pouca umidade e no Nordeste tradicionalmente chuvoso, porém, em 2016 o clima, sob efeito do El Niño, tem deixado o Sudeste brasileiro chuvoso e atípico. Somente o acumulado médio dos cinco primeiros dias de junho no interior paulista registrou 150mm por metro quadrado de precipitação.


Alguns climatologistas têm chamado esse fenômeno de “Nordestinização” do Sudeste, pela pareação dos climas das duas regiões nessa época do ano. Esses reveses climáticos são fundamentalmente prejudiciais à economia de algumas regiões produtoras de cana-de-açúcar, por exemplo, pela dificuldade de logística da matéria-prima da lavoura até as usinas, tendo que ficar com equipamento desligados e sem produção.


As disfunções ecoambientais também causam perdas sociais e emocionais, quando ocorrem inundações, como a que aconteceu no município paulista de Lençóis Paulista, em janeiro de deste ano. Em 48 horas ocorreu uma variação pluviométrica (chuvas) de 39% a mais sobre a bacia do Rio Lençóis em relação ao mesmo período de 2011, fazendo com que o Rio Lençóis transbordasse e inundasse parte do centro da cidade.


Só conseguiremos mudar esse “novo normal” se começarmos a projetar políticas socioambientais capazes de substituir alguns conceitos retrógrados sobre a conservação do ambiente ainda predominantes nas esperas públicas, empresariais e comunitárias.


O autor é pesquisador, especialista em sustentabilidade e autor de literatura técnica em hidrologia

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