Hoje acordei com a imagem daquele lindo bebe sírio, já sem vida, nos braços do socorrista. Parecia uma criança adormecida. E pensar que apenas há algumas horas aquela criança vivia e que seus pais tinham esperança de uma vida nova na Europa. Instantes depois, na mesma tela, vejo a imagem do gorila, um belo espécime sendo executado por decisão da administração do zoológico.
Ainda bem que não me cabe tomar decisões como esta. Mas o que mais me impressionou foi a repercussão das notícias. Até agora, o gorila encontrou inúmeros defensores de sua causa. Não que não seja justo. Mas somente nesta semana somam-se setecentos mortos na travessia, e isso não viralizou nas mídias.
É certo defender o direito à vida como também respeitar todas as vidas, como se apresentem, em qualquer lugar que estejam. Por hora, parece que a luz interior da humanidade está nublada, senão interrompida, pois não há coerência para essa conduta e quem sabe até uma certa arbitrariedade que recai sobre cada ser humano que, como eu, tem ciência dos fatos, mas não se sente responsável, pois fere apenas os sentimentos.
Não terá sido por esta razão que Jesus nos sugeriu amar, amar sempre, tomar a iniciativa do amor e amar a todos até os inimigos. Amar é uma emergência social. Sem o amor vamos continuar assistindo noticias terríveis como estas e continuar a viver como se nada estivesse acontecendo. O amor se inicia em nós. Em mim, em você. Valorizemos a vida. Amar vale sempre a pena.