Mais uma semana começa e a chuva não dá trégua. Chuvas que eram pra ter terminado nas águas de março fechando o verão, mas que insistem em continuar às vésperas do inverno! Segunda-feira, início da semana, aulas, trabalhos, dietas e assim vai... Ouvindo uma estação de rádio nesses dias, ouvi a informação que o calçamento da av. Getúlio Vargas está com estragos feitos pela chuva que tem caído, o que tem prejudicado as caminhadas dos pedestres, e que alguma medida deve ser tomada.
Faço o caminho sentido Lago Sul, pela av. J.V. Aiello, e o que tenho visto nesses dias de chuva é uma calamidade, na altura do Condomínio Tívoli e do Projeto Crescer (que atende várias crianças da região). Simplesmente não existe calçamento, somente a pista; as crianças atravessam todos os dias naquela via; mães levando filhos no colo, crianças maiores empurrando carrinhos de bebê, que se alavancam nos buracos daquela pista, cheias de armadilhas, verdadeiras e enormes poças d’água.
Crianças molhadas, descalças, enfrentando frio e chuva, sem blusas, sem nada, crianças levadas pelas mãos da vizinha, pelos pais, ou por quem puder levar... pulando arames farpados, que os separam da zona rural pra zona urbana, o lado da civilização. Pergunto: que civilização é essa? Que não dá conta de melhorar uma realidade tão próxima, tão fácil; uma comunidade que só precisa de um olhar, de um pouco mais de conforto, de dignidade..
Nos indignamos quando vemos foragidos de guerra, de fome, barrados por cercas elétricas, arames farpados, com milhares de mortos, nas águas geladas do Mediterrâneo...
Guardadas as devidas proporções, nos comovemos com quem sofre distante e não com cenas comuns de nosso dia a dia, de nossa cidade, de nosso bairro. A indignação só faz sentido quando vem acompanhada de uma ação, de uma solução, por isso peço às autoridades de nossa cidade que não se justifiquem, apenas façam, um pouco já é muito.
Hoje (nessa segunda-6) à noite, vi que o trecho que estou citando da avenida Aiello está com desvios para os carros; mas e para as pessoas? Pois é, continuam sem caminhos, sem desvios, convivem sempre com atalhos, sem calçamento, sem dignidade, sem conforto! Sem nada!