Política

Médicos do PAI fazem até "vaquinha" para resolver problemas da unidade

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Malavolta Jr.
Ventilador de teto estaria quebrado há cerca de dois anos

Funcionários do Pronto Atendimento Infantil (PAI), médicos em sua maioria ou totalidade, fizeram uma “vaquinha” para garantir o conserto da válvula da descarga de um dos banheiros e de um aparelho de ar-condicionado e a troca de um ventilador de teto da unidade, de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Bauru.

As precárias condições estruturais do local são constantemente alvo de reclamação, mas a medida extrema dos servidores chamou a atenção da vereadora Telma Gobbi (SD), que denunciou a situação durante a sessão legislativa desta segunda-feira.

A parlamentar, que é médica e já atuou na rede municipal, exibiu e disponibilizou imagens dos equipamentos quebrados e de outros problemas, como cadeiras quebradas e instalações elétricas danificadas.

Telma mostrou ainda a foto do papel no qual foram registrados os valores da “vaquinha” com os nomes de 15 servidores que aderiram à iniciativa. Foram R$ 144,00 para a descarga, R$ 100,00 para o ar-condicionado e R$ 200,00 para o ventilador.

“O financiamento da Saúde é um desafio, mas ninguém está cobrando altos investimentos. É uma questão de manutenção, conservação, atenção”, reclamou, na tribuna da Câmara Municipal.

O vereador Roberval Sakai (PMB) disse que encaminhará o material ao Ministério Público.

Alerta

Telma completou que a administração municipal não pode alegar ignorância sobre os fatos, já que, em fevereiro, a pediatra Kátia Elena Semeghini Caputo protocolou ofícios ao prefeito Rodrigo Agostinho, ao secretário Fernando Monti, à direção da rede de urgência e à chefia do PAI, relatando os problemas e fazendo uma série de pedidos.

No documento, a médica lembra, inclusive, que os aparelhos de ar-condicionado da unidade foram doados pelos profissionais à prefeitura, conforme prova documentação, “para que o ente público desse ao menos a manutenção dos equipamentos”.

Ela relata que o serviço havia sido solicitado pela categoria por meio de carta, mas, devido à recusa dos gestores, os plantonistas decidiram arcar com as despesas. Sobre o ventilador, Kátia alega que o equipamento ficou quebrado por dois anos.

A pediatra pede ainda a aquisição de equipamentos básicos para o atendimento médico; de cadeiras adequadas para a postura, inclusive nas enfermarias para as mães que passam a noite com seus filhos; a manutenção nas pias do consultório, que tem vazamentos constantes; o conserto de buracos nas paredes; e até melhorias na limpeza do PAI como um todo.

No fim de maio, as demandas foram reiteradas pela profissional em carta destinada à vereadora Telma Gobbi.

‘Nunca pedimos’

Reconhecendo as más condições estruturais do Pronto Atendimento Infantil (PAI), o secretário de Saúde, Fernando Monti, argumentou que a gestão pública não tem a mesma velocidade da gestão privada. “Não é como quando quebra um equipamento na nossa casa, que podemos chamar o técnico e resolver. Assim que fizemos uma licitação para a manutenção de ar-condicionado, providenciamos o serviço”, ponderou, nessa segunda-feira (6), ao JC. Monti enfatizou ainda que a secretaria nunca solicitou que profissionais de sua rede pagassem por intervenções nas unidades municipais de Saúde.

Por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, a pasta informa que, desde março (no mês seguinte aos ofícios protocolados pela pediatra Kátia Elene Semeghini Caputo), estão sendo realizados serviços de manutenção no prédio do PAI, “tais como troca de válvulas em oito banheiros, troca de lâmpadas para melhoria da iluminação”. O órgão alega ainda que se encontra em fase de conclusão a reforma da enfermaria infantil. “Quanto ao documento protocolado, citado pela reportagem, a Secretaria tem procurado atender as solicitações de acordo com as regras de contratação de serviços e condições orçamentárias”, finalizou a nota.

SUS em colapso

O vereador Roque Ferreira (PSOL) comentou a reportagem do JC dessa segunda (6), que abordou o iminente caos do financiamento do SUS pelo governo federal apontado pelo secretário Fernando Monti. Até serviços como o Samu e as UPAs estão ameaçados.

O parlamentar afirmou que o tema terá que receber grande atenção dos candidatos a prefeito deste ano e observou que o problema está profundamente atrelado a discussões de abrangência nacional. Ele mostrou dados levantados pelo professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que apontam: a regra estabelecida pelo presidente Michel Temer que limita os gastos primários do governo federal derrubarão os investimentos da União destinados a Saúde. Se valesse para o ano passado, por exemplo, em vez dos R$ 102,1 bilhões aplicados, a área receberia apenas R$ 65,2 bilhões.

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