Economia & Negócios

Dólar cai pela 5ª sessão seguida com fala de Ilan e emissões no exterior

Por Silvana Rocha, Paula Dias e Denise Abarca | AE
| Tempo de leitura: 5 min

O dólar recuou pela quinta sessão seguida ante o real e encerrou nesta terça-feira (7), no menor patamar desde 29 de abril. A onda de vendas foi direcionada pela alta das commodities e pelas perspectivas sobre os juros dos EUA, assim como pela percepção de que o Banco Central não deverá interferir tanto no mercado cambial na gestão de Ilan Goldfajn, deixando o dólar flutuar de acordo com as forças de mercado. Também contribuiu para o movimento a perspectiva em torno de emissões de bônus de companhias brasileiras no exterior.

De acordo com especialistas, foi muito bem recebida a sinalização do economista indicado para o BC, Ilan Goldfajn, de que a instituição poderá recorrer ao uso de swap cambial reverso em momentos de maior pressão de baixa, com o objetivo de dar continuidade à redução do estoque de swap cambial tradicional. Por 19 a 8 votos, a indicação de Ilan Goldfajn para a presidência do BC foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O tema seguiu para votação em plenário ainda hoje.

Expectativas sobre emissões de bônus de companhias brasileiras no exterior também reforçaram o movimento de queda do dólar. A Vale anunciou nesta tarde que a demanda pelos bônus de 2021 lançados no exterior alcançou US$ 4,5 bilhões e a companhia emitiu US$ 1,25 bilhão com retorno de 5,875%. Além dessa operação, os profissionais do mercado estão atentos ainda a outras duas empresas que estão sondando o mercado de dívida externa.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que a Eldorado Brasil, de celulose, está em roadshow junto a investidores e se as condições do mercado estiverem favoráveis deve captar US$ 500 milhões. Já a Cosan encerra amanhã roadshow e pode igualmente emitir bônus para respaldar a recompra de bônus 2018 e 2023.

No fechamento do mercado à vista, o dólar foi cotado aos R$ 3,4474, com queda de 1,26%. A moeda chegou a ceder até R$ 3,4463 (-1,29%) nesta tarde - terceira menor mínima intraday deste ano, depois dos R$ 3,4389 durante a sessão de 11 de maio e dos R$ 3,4301 registrados em 29 de abril. Nos últimos cinco dias de quedas consecutivas, as perdas acumuladas estão em 4,53%. Às 17h58, o dólar futuro para julho recuava 1,42%, aos R$ 3,4660.

Bovespa - A Bovespa alternou pequenas altas e baixas ao longo desta terça-feira e acabou fechando em alta de 0,11%, com 50.487,85 pontos e R$ 5,06 bilhões em negócios. A intensa alternância entre pequenas altas e baixas refletiu o clima de incerteza que predominou nos negócios de hoje na Bovespa. Mesmo diante da valorização dos preços das commodities e da queda do dólar, o Ibovespa andou "de lado" na maior parte do tempo.

A principal notícia do dia foi o pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador e ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Houve fortes reações por parte dos nomes envolvidos e também do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que fez duras críticas ao vazamento do pedido.

A alta dos preços das commodities foi referência positiva para o mercado e deu fôlego às ações ligadas a matérias-primas como petróleo e metais. O minério de ferro subiu 3,4% na China, de acordo com o The Steel Index. As ações da Vale chegaram a subir pela manhã, mas perderam fôlego e passaram a cair à tarde. A inversão de tendência aconteceu depois da notícia da emissão de bônus pela empresa. Ao final dos negócios, Vale ON caiu 1,89%, enquanto Vale PNA perdeu 0,15%. Já os papéis da Petrobras se beneficiaram da alta dos preços do petróleo nas bolsas de Londres e Nova York e subiram 3,06% (ON) e 1,89% (PN).

Na lista de quedas do Ibovespa esteve Braskem PNA (-2,84%), que refletiu o teor de parte da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró na Lava Jato, que classificou como "um escândalo" as circunstâncias da criação da petroquímica, sociedade entre a Petrobras e a Odebrecht. Entre as ações do Ibovespa, a maior alta foi de TIM ON, que avançou 4,07%, com o mercado à espera de melhores resultados da operadora no segundo trimestre.

Taxas de juros - O aumento do estresse no quadro político provocou realização de lucros no mercado de juros e as taxas fecharam a sessão em alta nos vencimentos de médio e longo prazos, enquanto os curtos subiram reagindo à fala de Ilan na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (154.260 contratos) projetava 13,600%, de 13,565% no ajuste da véspera. O DI janeiro de 2018 (171.730 contratos) encerrou em 12,56%, de 12,51% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2019 (172.355 contratos) subiu de 12,29% para 12,34%, e o DI janeiro de 2021 fechou em 12,39%, de 12,31%, com 123.370 contratos.

O sinal de alta foi determinado já na abertura dos negócios, em reação aos pedidos de prisão feitos por Janot a Teori Zavascki, ministro relator da Operação Lava Jato no STF. Renan, um dos alvos de Janot, divulgou nota em que diz que o pedido de prisão foi "desproporcional e abusivo". "Toda vez que há exagero, extravagância, excesso, desproporcionalidade, expressões como democracia, Constituição, liberdade de opinião e presunção de inocência perdem prestígio. Não vamos colaborar com isso", disse Renan após informar que é preciso aguardar a decisão do STF.

Na sabatina, Ilan afirmou à CAE que à frente da autoridade monetária retribuirá a confiança depositada em sua indicação atingindo a meta de inflação e disse que vai mirar o centro da meta. "Bandas de tolerância servem para acomodar choques", disse. Segundo ele, a manutenção de nível baixo e estável de inflação reduz incertezas e torna a sociedade mais justa.  Na ótica do mercado, as afirmações sugerem que o ciclo de cortes da Selic pode demorar um pouco mais do que se espera.

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