| Renan Casal |
![]() |
| Para Luciano Olavo, percentuais de eleitores por idade, gênero e escolaridade tendem a acompanhar a evolução da população |
As eleições municipais que ocorrem em 2 de outubro serão decididas por 263.506 eleitores em Bauru. Em quatro anos, a cidade ganhou 14.533 novos votantes, um aumento de 5,8% na comparação com as eleições para prefeito e vereadores de 2012, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Deste total, as mulheres respondem por 53% do eleitorado – elas são 139.738 pessoas e eles, 122.870. Quanto à faixa etária, a maior representatividade está entre os eleitores de 45 a 59 anos – um em cada quatro se encaixam neste perfil. São 65.914 pessoas nesta idade, 54.582 votantes de 25 a 34 anos e 51.632 entre 35 e 44 anos.
Nas faixas etárias em que o voto é facultativo, os eleitores representam mais de 10% do eleitorado: são 1.824 eleitores entre 16 e 17 anos e 26.584 com 70 anos ou mais. Pessoas analfabetas, que também não têm obrigatoriedade de ir às urnas, somam 3.821 pessoas.
De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, 40% dos eleitores de Bauru possuem ao menos o ensino médio completo, grau de escolaridade já concluído por 106.605 votantes na cidade. A porcentagem de mulheres que chegou a esta fase dos estudos, contudo, é maior que a de homens: 42,7% contra 38,1%. Neste universo, estão contabilizadas as 14.202 eleitoras com ensino superior completo e 8.788 incompleto. Entre os homens, esses números são de, respectivamente, 10.017 e 7.528.
Proporção
Segundo avaliação do analista judiciário do cartório da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru, Luciano Olavo da Silva, os percentuais de eleitores por idade, gênero e escolaridade - assim como o aumento da quantidade de eleitores - tendem a acompanhar, proporcionalmente, a evolução da população como um todo. “Nas faixas etárias em que o voto é obrigatório (dos 18 ao 69 anos), não há uma alteração significativa de perfil em relação à realidade demográfica apresentada pelos censos populacionais”, pontua, salientando que, entre jovens de 16 e 17 anos, a configuração é outra.
Ao longo deste século, a própria desaceleração no ritmo de crescimento populacional também repercute nas estatísticas do eleitorado nos últimos anos. Se, de 2012 para 2016, o crescimento foi de 5,8%, nos quatro anos anteriores a variação foi de 6,47% e, de 2004 para 2008, de 8,07%.
Em cidades de porte semelhante, a evolução no número de eleitores também não destoa dos resultados de Bauru. Em 2016, o aumento foi de 4,88% em Piracicaba, 5,5% em São José do Rio Preto e 3,46% em Franca.
Número de adolescentes votantes diminui
| Douglas Reis |
![]() |
| Celso Zonta acredita que, apesar de os jovens estarem distantes da atual política partidária, eles participam bastante do debate |
Em movimento contrário ao aumento do número total de eleitores, a quantidade de adolescentes de 16 a 17 anos de idade que escolheram votar mesmo sem a obrigatoriedade diminuiu. Nas últimas eleições, eles somavam 2.557 votantes e, neste ano, são 1.824 – uma queda de 28,7%.
A variação, ainda que influenciada pela redução da população jovem ante às sucessivas quedas das taxas de natalidade registradas em todo o País, não pode ser explicada somente em razão deste fenômeno. É o que afirma Luciano da Silva, que acredita na existência de uma redução gradativa da participação dos jovens a partir de 1992, quando houve o processo de impeachment do presidente Fernando Collor.
“Uma queda tão acentuada mostra um menor interesse do jovem em escolher seus representantes, comportamento que poderia ser contornado, principalmente, se a participação política fosse abordada nas escolas. Política é prática social e não apenas fatos históricos que os alunos estudam nos livros”, analisa.
O cientista político Celso Zonta, contudo, tem outra visão sobre o tema. “Os jovens estão distantes da política institucional, partidária, mas participam bastante do debate. Vimos o surgimento de movimentos a partir das redes sociais desde 2013, que ainda têm força neste cenário de crise econômica e política do País. É a juventude, o movimento estudantil, que está indo às ruas”, completa.

