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Paschoalotto tem 'pane' no 3º quarto e é derrotado pelo Flamengo

Wagner Teodoro, enviado ao Rio de Janeiro
| Tempo de leitura: 8 min

Jump/LNB
Time caiu muito de rendimento no retorno do intervalo, erro fatal que o levou a ficar com troféu de vice 
 Gilvan de Souza/Fotos Públicas
Marquinhos, do Flamengo, e Jefferson disputam bola

Não foi desta vez. Depois de equilibrar os dois primeiros quartos, o Paschoalotto/Bauru teve uma terceira parcial desastrosa, que comprometeu as chances de brigar pela vitória na quinta partida da série melhor de cinco contra o Flamengo, nesse sábado (11) à tarde, na Arena Carioca 2, no Rio de Janeiro. Assim, o time rubro-negro venceu por 100 a 66 e conquistou o Novo Basquete Brasil (NBB) pela quinta vez. Depois de empatar o playoff duas vez, Bauru perde a final e adia o sonho de voltar a levantar o troféu do Nacional pela segunda vez – foi campeão em 2002, quando a competição era organizada pela Confederação Brasileira de Basquete.

Apesar de muita luta, o Paschoalotto fez um jogo no qual peças importantes renderam abaixo do esperado. Basta mencionar que apenas Paulinho Boracini, Jefferson e Alex pontuaram em dois dígitos. O time esteve longe de conseguir repetir a intensidade que pôs em quadra no quarto jogo da série em Marília e reeditar as boas atuações nas partidas dois e três, ambas no Rio. O péssimo terceiro quarto enterrou as possibilidades de título do time bauruense.

 

Jogo

Flamengo abriu 5 a 0 e Bauru demorou quase dois minutos para pontuar. O primeiro ponto surgiu com Jefferson em lance livre. A reação ocorreu puxada por Alex e Paulinho Boracini, que anotaram juntos sete pontos. A virada veio em infiltração do armador: 8 a 7 para o Paschoalotto. Bauru insistiu sem sucesso nos chutes de três, propiciando contra-ataques ao Flamengo. O time carioca passou à frente, porém, não conseguiu aproveitar para ampliar e o jogo seguiu equilibrado. Alex, em contragolpe, infiltrou e cravou para empatar em 13 pontos. Nos instantes finais da parcial, o Bauru errou mais e perdeu o quarto por 21 a 17.

O Paschoalotto iniciou o segundo quarto com uma cesta de três de Alex. No entanto, na sequência, os erros ofensivos voltaram a aparecer. O Flamengo, desta vez, não deixou passar e conseguiu impor dez pontos de vantagem. Foi o momento em que o técnico Demétrius Ferracciú parou o jogo para orientar os bauruenses. O time respondeu em quadra. Organizado na defesa, cortou o prejuízo para dois pontos, “voltando” para o jogo. Depois da boa “corrida”, acabou oscilando no finalzinho da parcial e foi para o intervalo sete pontos atrás: 39 a 32.

Mas o time voltou disperso do vestiário. Caiu de rendimento na defesa e, pior, viu o Flamengo afinar a pontaria da linha dos três. Comandando por Marcelinho, o time carioca fez 11 a 3 em menos de três minutos e elevou para 15 pontos a diferença no placar, 50 a 35. O Paschoalotto sentiu o golpe e o Flamengo se personalizou, empurrado pela torcida e ampliando a distância para 23 pontos. Bauru procurou resposta para superar a defesa flamenguista, mas esbarrou na queda vertiginosa de seu próprio rendimento e na empolgada marcação dos anfitriões. O quarto, verdadeira “ducha de água fria” para o time bauruense, terminou em 71 a 49, sepultando as esperanças de título do Paschoalotto.

Com Bauru abatido e o Flamengo tranquilo, o quarto final pouco acrescentou e não teve emoção. O Paschoalotto, que precisaria de uma virada épica, jogou para diminuir o prejuízo. Já o Flamengo tratou de administrar da melhor maneira possível suas posses de bola e gastar do tempo. Desmotivados, os bauruenses perderam a última parcial por dez pontos e a partida terminou em 100 a 66.

Técnico Demétrius e jogadores avaliam

O terceiro quarto ruim foi o diferencial na briga pelo título, mas valorizam temporada

Wagner Teodoro
Demétrius lamenta altos e baixos do time

A queda de produção no retorno do intervalo e o terceiro quarto ruim determinaram o resultado da partida desse sábado (11) e o campeão do NBB8. A avaliação é do elenco do Paschoalotto e do técnico Demétrius Ferracciú. “Foi um problema que tivemos durante a série toda. Todas as nossas voltas do intervalo foram abaixo da média. E pagamos caro em relação a isso. No primeiro jogo da série, nossa volta não foi boa e perdemos. E hoje (sábado) também”, aponta Demétrius. “A equipe não merecia perder da maneira que foi hoje. Isso não resume o que foi a temporada. Ficamos muito tristes pelo último jogo ter sido desta maneira”, acrescenta o treinador.

Alex lamenta o descontrole defensivo, que comprometeu o desempenho geral da equipe na partida. “Foi erro nosso. Não pode, a defesa tem que estar firme, consistente. Nosso time é assim, quando a gente não consegue marcar bem, não consegue atacar bem. No jogo quatro, a defesa estava fortíssima e atacamos muito fácil. Não tem segredo. Quando você tem muitos erros, pesa. Principalmente em um jogo equilibrado”, entende o ala.

O ala/pivô Jefferson cita a oscilação emocional do time no jogo de ontem. “Não voltamos bem, isso acontece, como aconteceu com o Flamengo lá em Marília. Faz parte do playoff, são jogos tensos. Infelizmente, não tivemos o equilíbrio emocional para ganhar este jogo aqui dentro (Arena Carioca 2)”, constata. “Era para a gente ter levantado o caneca em Marília, mas devido ao jogo três não aconteceu (referência ao erro de arbitragem, que marcou bola presa em jogada com a bola sob domínio de Hettsheimeir)”, lembrou.

 

Cabeça erguida

Porém, os jogadores e comissão técnica, apesar de extremamente tristes pela derrota de ontem, consideram como positiva a temporada. “O time mais uma vez jogou muita bola o campeonato todo. A gente não pode crucificar alguém por um jogo. É lógico que era um jogo 5 de final e todo mundo queria ganhar. Mas o time fez um excelente campeonato, com algum altos e baixos normais. Claro que tem um erro no quinto jogo da final e o que vai ficar é a diferença de 34 pontos, mas o time tem que se manter forte para estar aqui (na final) novamente no ano que vem”, declara Alex. “O time chegou à final, foi para o quinto jogo contra uma equipe campeã, jogamos de igual para igual”, reforça Jefferson.

Demétrius, emocionado, disse: “Eu agradeci todos os jogadores, comissão técnica e diretoria, que me receberam para trabalhar e colocar aquilo que eu acredito. Superamos muita coisa durante a temporada, fomos um time brioso. Conseguimos chegar a uma final e ter praticamente um título na mão. Por questão de detalhes deixamos escapar”, concluiu o técnico.

Planejamento

O gestor do Paschoalotto/Bauru, Victor Jacob, enalteceu a dedicação e doação dos jogadores. “Finalizou a temporada não da maneira que gostaríamos. Estivemos muito próximos do título. Durante a temporada tivemos problemas e o time se superou, chegamos com totais chances de ser campeões. Fizemos o nosso máximo, mas não foi suficiente”, declarou.

Jacob adianta que nesta semana a diretoria e comissão técnica vão se reunir para começar a traçar o planejamento da próxima temporada. Na pauta, patrocínio e renovações. “Vamos sentar e definir nosso orçamento e começar a planejar o elenco, quem renova, quem fica”, comenta. Os pivôs Murilo e Labbate, o ala Robert Day ne o armador Paulinho Boracini têm seus contratos vencendo agora no final desta temporada.

Em Bauru, torcida vibra até o fim

Por Cinthia Milanez

Mãos na cabeça, apontamentos em direção à tela da televisão e muita, mas muita esperança. Foi assim que a torcida acompanhou a disputa entre o Paschoalotto/Bauru e o Flamengo, ontem à tarde, em Bauru. O clima era de crédito à espera do time bauruense ser o primeiro do Estado de São Paulo a ser o campeão do Novo Basquete Brasil (NBB), mas não deu.

Parte da torcida acompanhou o jogo no BB Batatas e a outra, no cinema do Alameda Quality Center. Neste local, estava o estudante de jornalismo Guilherme Prudente Soares, de 20 anos. Para ele, a bola de três não caía de jeito algum. “Além disso, faltou raça”, frisa. Contudo, o torcedor faz uma avaliação positiva da campanha do Paschoalotto.

“No ano passado, perdemos dois jogos para o Flamengo. Neste ano, passamos por quatro disputas boas”, diz.

Samantha Ciuffa
Giovana Orti, torcedora: “Pela declaração do Alex Garcia no dia anterior, achamos que Bauru traria o título para casa”

A advogada Giovana Orti, de 25 anos, pensa da mesma forma. Ela também assistiu ao jogo em uma das salas do cinema do Alameda. “Faltou o que teve no quarto jogo, que foi muita garra e muita vontade por parte de todos os jogadores. Pela declaração do Alex Garcia no dia anterior, achamos que Bauru traria o título para casa. Porém, o que importa é que teremos mais uma chance no ano que vem”, defende.

Irmão de Giovana, o estudante de direito Mateus Orti, de 24 anos, não gostou do último jogo, mas avaliou toda a campanha do time bauruense de forma positiva.

“Nós ganhamos o Sul-Americano e a Liga das Américas, mas ficou faltando o NBB. Poderíamos ter ganhado, porém, não foi dessa vez”, argumenta.

Já a dentista Alexandra Kesam, de 44 anos, acredita que o time bauruense se superou neste ano. “Nós tivemos três jogadores convocados para as Olimpíadas e o técnico como auxiliar, também convocado. Hoje (ontem), o que faltou para ganhar foram energia e foco, além da famosa bola de três”, finaliza.

Confira mais fotos da torcida

Fotos: Samantha Ciuffa
Parte da torcida acompanhou o jogo de ontem no BB Batatas; clima de tensão marcou toda a disputa
Torcida bauruense também acompanhou jogo decisivo de cinema no Alameda
Wagner Thedoro
Torcida de Bauru presente na Arena Carioca 2, palco da decisão deste sábado (11)

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