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?Japonês da Federal?, o herói falso

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 1 min

Infeliz é o país que constrói seus mitos pelas imagens falsas difundidas pelo contexto mediático do momento. A figura do agente federal Newton Ishii da Polícia Federal como combatente da corrupção não passou de um embuste. Alçado a “herói nacional” por fazer a custódia de presos da Operação Lava Jato, o “Japonês da Federal” é um caso para ser analisado sociologicamente e o qual revela uma alienação do país com temas mais complexos.


Afinal, a figura de Ishii passou a ganhar os holofotes pelas repetidas vezes em que ele aparecia conduzindo os réus para a prisão e nada, absolutamente nada, justificaria associá-lo a um combatente da corrupção.


O tal “Japonês da Federal” virou figura simbólica da cruzada do bem contra o mal. Daí já se cogitava como futuro candidato a deputado federal com reais chances de sucesso. No Brasil, basta virar “palhaço”, com todo o respeito ao mundo do circo, que isso pode render muitos votos. Exemplos não faltam no noticiário. Ishii, por exemplo, em uma de suas visitas ao Congresso Nacional virou celebridade nacional com direito a apupos e selfies de parlamentares.


O tal “Japonês da Federal”, no entanto, tinha uma condenação de quatro anos e dois meses de prisão por facilitar o contrabando enquanto atuava na Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai. Pior de tudo: o processo tramitava há anos na lenta Justiça brasileira, onde os recursos procrastinatórios levam muitas vezes à impunidade. Dessa vez, a casa caiu, a imagem impoluta do agente não bateu com a realidade. Para sorte nossa, a imagem se esvaiu.


Desse episódio se tira uma lição: temos que parar com essa mania nacional de tudo virar piada em cima de tema sério.


O autor é jornalista, editor regional do Jornal da Cidade

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