O professor chegou mais cedo. Entrou na classe e deparou-se com o mapa-mundi no canto da sala. Sem ninguém para conversar, perguntou a ele: - e aí, sr. mapa-mundi, como vai?! Este começou a choramingar. Perguntou-lhe: - o que houve, meu Brasil brasileiro?!
E ele espreguiçou-se em seu berço esplêndido esparramado e verdejante com suas lágrimas amazônicas: vejam o que estão fazendo comigo... Antes, os meus bosques tinham mais flores e meu seio mais amores. Meu povo era heroico e seus brados, retunbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante.
Onde anda a liberdade? Onde andam os braços fortes? Eu era a pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil.
Eu era gigante pela própria natureza, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses povos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
Não suportando as chorosas queixas do Brasil, foi para o jardim. Era noite, e pôde ver a imagem do cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado.
Pensou: - conseguiremos salvar esse país sem baços fortes? Pensou mais: - quem nos devolverá a grandeza que a pátria nos tráz?
Voltou à sala, mas encontrou o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em berço esplêndido ...