Primeiramente, quero agradecer a forma educada como o professor Carlos D’Incao se dirigiu à minha pessoa. No entanto, gostaria de fazer algumas observações pertinentes às suas colocações. A pedagogia em questão não se chama marxista, mas uma pedagogia histórico crítica, inspirada no materialismo histórico-dialético de Marx e Engels, muito bem explicitada por Demerval Saviani, seu idealizador. Ela defende, sim, a apropriação crítica do conhecimento, daí a importância da formação da consciência.
A pedagogia histórico crítica, alicerçada na psicologia sócio-cultural e seus defensores soviéticos Leontiev, Luria e Vigotsky, defende a psicologia do desenvolvimento e a especificidade da escola, que é transmitir os conhecimentos historicamente elaborados ainda numa sociedade de classes com interesses opostos e que a instrução generalizada da população contraria os interesses da estratificação de classes.
Ocorre uma desvalorização da escola pública cujo motivo é a transformação da própria sociedade. Evidentemente, a verdade histórica evidencia a necessidade das mudanças, as quais, para a classe dominante (uma vez consolidada no poder) não são interessantes, ela tem interesses na perpetuação da ordem existente. A questão escolar hoje é marcada por essa situação social.
A pedagogia histórico crítica implica na clareza dos determinantes sociais da educação, a compreensão do grau em que as contradições da sociedade marcam a educação. Paulo Freire, José Carlos Libâneo e Moacir Gadotti são os antecessores dessa pedagogia e pregam assim como Saviane e a psicologia soviética, o processo de humanização, pois o homem não nasce humano e sim torna-se humano na vida social e histórica no interior da cultura. Agora, com relação ao construtivismo que não é pedagogia, mas sim uma teoria sobre o conhecimento, portanto, ligado à epistemologia, não se fala mais nela na escola pública.
Hoje, o que mais se usa é o aprender a aprender e a pedagogia usada é a neo-produtivista ou neo-tecnicista. Com relação à educação superior e o ensino médio e fundamental, maiores resultados seriam obtidos com o investimento na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental, lembrando que hoje a educação básica compreende também a educação infantil que é o alicerce, a base de toda a educação. Não vou discutir sobre posição político partidária, porque não é o campo de minha especialidade, mas a realidade está aí escancarada pra todo mundo vê:corrupção, miséria, desemprego, exclusão social, enfim, como diria Paulo Freire, os deserdados da terra, os oprimidos e a malvadeza neoliberal.