Regional

Polícia Civil investiga denúncia de maus-tratos contra uma idosa

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito, ontem, para apurar uma denúncia de maus-tratos contra uma mulher de 81 anos. Segundo o relato da família de Maria de Lourdes Franco à polícia, a idosa teria adquirido escaras após dar entrada no asilo São Vicente de Paulo.

Titular da delegacia de Pederneiras, Adriano Crês relata que o único problema de saúde que Maria tinha, até então, era o Mal de Alzheimer. Contudo, a irmã que cuidava dela se tornou impossibilitada para tanto e a encaminhou ao asilo. “Vou apurar se houve, por parte do asilo, maus-tratos que acarretaram nas lesões da vítima”, acrescenta o delegado.

Crês informa que, se resultar em lesão grave, o crime de maus-tratos prevê uma pena de um a quatro anos de reclusão. Caso a vítima venha a óbito, a sanção é de quatro a 12 anos de reclusão. Quando o ato resulta apenas em ferimentos leves, a pena é de dois meses a um ano de detenção.

Denúncia

Segundo a advogada da família da idosa, Ana Elisa Santoro, ela vivia com outras duas irmãs, também de idade avançada, em uma casa própria, em Pederneiras. Contudo, uma delas teve um derrame e passou a necessitar de cuidados especiais, assim como Maria, que tem Mal de Alzheimer.

Como a única irmã saudável não iria dar conta de ajudar as outras duas sozinha, procurou uma assistente social do município, que a aconselhou a encaminhar Maria à Santa Casa de Misericórdia de Pederneiras, porque a idosa se recusava a comer. Em seguida, a assistente social orientou a irmã a deixar a idosa no asilo.

Dito e feito. Maria deu entrada no São Vicente de Paulo, no dia 28 de abril deste ano. “Algum parente foi visitá-la, viu as feridas e fez fotos”, relata. A idosa, então, foi levada à Santa Casa no último dia 27 de maio. “O hospital também não cumpriu o Estatuto do Idoso, que prevê que, em caso de maus-tratos, a polícia deve ser acionada”, argumenta.

E agora?

O objetivo, segundo a advogada da família de Maria, é transferi-la da Santa Casa de Pederneiras à de Jaú, onde vivem os sobrinhos da idosa. “As outras duas irmãs pretendem morar em Jaú também, mas não saem de lá enquanto Maria estiver internada. O intuito é revezar, com os sobrinhos, os cuidados das duas idosas”, revela.

Em nota, a assessoria de imprensa da Santa Casa de Pederneiras afirma que a paciente foi recepcionada “com queda de estado geral para internação hospitalar”, no dia 27 de maio deste ano, e recebeu atendimento médico, “sendo disponibilizado todo o cuidado necessário”. O quadro de saúde de Maria é estável.

Ontem à tarde, a reportagem também acionou a coordenadora do asilo, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, não houve maus-tratos contra a idosa em momento algum. Questionada sobre as escaras, a coordenadora aguarda que o caso vá a juízo para se defender. “Eu não sou da área de saúde. Essa é uma questão para a área de saúde”, finaliza.

Você sabia?

As escaras, também conhecidas por úlceras de pressão ou úlceras de decúbito, correspondem a um tipo especial de lesões da pele, de extensão e profundidade variáveis. A principal causa é a deficiência prolongada na irrigação de sangue e na oferta de nutrientes em determinada área do corpo, em virtude da pressão externa exercida por um objeto contra uma superfície óssea ou cartilaginosa. Umidade e fricção são condições que ajudam a agravar o quadro.

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