Economia & Negócios

Agropecuária "salva" PIB em Bauru e região

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

A agricultura e a pecuária “salvaram” a economia de Bauru e região nos últimos quatro trimestres, de acordo com levantamento da Fundação Seade. Os resultados, divulgados nessa quarta-feira (15) pela entidade, mostram que os 39 municípios da Região Administrativa de Bauru tiveram alta no Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7% no 1.º trimestre de 2016, na comparação com o período imediatamente anterior (4.º trimestre de 2015). Em valores absolutos, o PIB regional nos três meses iniciais deste ano corresponde a  R$ 7,24 bilhões.

Entretanto, no acumulado dos quatro trimestres (período de abril de 2015 a março de 2016), em comparação também aos doze meses anteriores (abril de 2014 a março de 2015), a região de Bauru apresentou queda de 6,2%.

O resultado foi puxado principalmente pela retração no setor industrial, de 10,2% no acumulado dos quatro trimestres, e também na queda de 4,9% no segmento de serviços. A agropecuária foi o único setor que cresceu nesse mesmo período: 6,5%, acima até mesmo da média estadual do setor, que foi de 4,3%.

Eucalipto e bovinos

Douglas Reis/JC Imagens
Maurício Lima Verde ressalta a importância dos eucaliptos

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, pontua que, mesmo dentro da agropecuária, não são todas as culturas que estão em alta. “Este índice de crescimento foi puxado principalmente pelo eucalipto. A região de Bauru começou a ter muitas plantações há cerca de quatro ou cinco anos em áreas arrendadas e que, agora, estão dando resultado. Mas, mesmo o eucalipto já reduziu a tendência de alta, e outras culturas devem ganhar espaço nos próximos anos, como a soja”, explica.

“O preço da carne bovina também subiu e isso ajudou a compor um número mais elevado para a agropecuária, até porque estamos em uma região com uma quantidade razoável de pecuária bovina. Mas, outros setores, como a cana-de-açúcar, não tiveram crescimento”, revela.

Apesar do crescimento, Lima Verde faz uma crítica ao fato de Bauru explorar mal este nicho econômico. “Raramente vemos discussão política em Bauru sobre o desenvolvimento da agroindústria, que é um segmento com grande potencial. Mas a região, de uma maneira geral, tem uma agroindústria forte”, completa.

Demais segmentos

Enquanto a agropecuária consegue ter algum crescimento, a indústria, a prestação de serviços e o comércio amargam redução considerável de 2015 para cá. De acordo com o Seade, apenas a partir do ano passado, a entidade começou a fazer levantamentos regionalizados, trimestre a trimestre, e esta foi a primeira vez que, de um período para o outro, a região de Bauru apresentou crescimento. No entanto, no acumulado geral, o cenário ainda é de retração. E a indústria e os serviços é que puxaram os números para baixo.

O presidente do Ciesp – Regional Bauru, Rubens Passos, avalia que a política econômica da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) foi um aspecto importante para justificar a retração da atividade industrial no País como um todo, refletindo-se também na região de Bauru.

A expectativa é de melhoria. “Na avaliação do Ciesp-Bauru, o principal fator para a queda na indústria tem sido a crise econômica originada nas política econômica implantada no primeiro governo Dilma. A perspectiva para a sequência deste ano é de queda quando comparado a 2015, sendo uma reversão esperada para 2017, caso o novo governo (de Michel Temer, do PMDB) consiga reverter as expectativas negativas do mercado”, comenta Passos.

O presidente em exercício da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo, lembra que a cidade, especificamente, tem um modelo econômico parecido com o restante do Estado. “Bauru não está muito distante do extrato da economia paulista e depende muito de comércio, serviços e indústria. Nos últimos anos, o setor de serviços vinha apresentando bons números, devido às empresas de recuperação de crédito, sobretudo. Mas, com o enfraquecimento da indústria no País, houve uma onda negativa, na qual o comércio e serviços acabam sentindo diretamente. Eram números já esperados”, define.

Cafeo diz que a Acib tem trabalhado para minimizar os danos. “Temos realizado palestras, fóruns e treinamentos. Ajuda, mas vai muito da situação particular de cada empresa e também do cenário econômico geral do Brasil”, conclui.

Tendência da economia nacional

Malavolta Jr.
Economista Fernando Pinho

O economista Fernando Martha de Pinho reitera o reflexo da economia nacional sobre Bauru e região. “Nos últimos anos, a agropecuária é o segmento que tem se destacado e mantido a balança comercial brasileira, justamente por conta da demanda do mercado externo, até porque o consumo interno no País caiu muito. Então, a região aqui segue isso. [O aumento no PIB] é puxado principalmente pelas cidades menores, que tem uma produção agrícola mais forte. Especificamente em Bauru, isso já representa bem menos. É uma cidade muito baseada no comércio e serviços”, menciona.

O economista, contudo, completa que a situação da economia bauruense não tem como fugir da do País. “A conjuntura nacional é desfavorável, pelo momento de crise, e não tem como os municípios não sentirem isso”, complementa Pinho.

Terceiro melhor

Entre as 17 regiões do Estado analisadas pelo Seade, a de Bauru foi a terceira que mais teve crescimento do PIB no 1.º trimestre de 2016, em comparação aos três últimos meses de 2015. Os dados são referentes aos 39 municípios da Região Administrativa de Bauru, sendo 19 da microrregião de Bauru, dez da microrregião de Lins e outros dez de Jaú.

Os melhores índices foram das regiões de Itapeva (5,1%), Presidente Prudente (3,4%), Bauru (2,7%), Registro (1,9%) e Barretos (1,4%). Já as maiores quedas foram em São José dos Campos (-4,0%), Campinas (-3,0%) e Ribeirão Preto (-2,5%). Na Região Metropolitana de São Paulo, a queda foi de 1,2%. No Estado de São Paulo como um todo, a retração foi de 1%.

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