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71% dos imóveis têm criadouros em potencial do Aedes aegypti em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O tempo frio dos últimos dias não é motivo para relaxar no combate ao mosquito Aedes aegypti. Pelo contrário. É hora de ampliar as ações de controle e deixar a cidade preparada para encarar o período mais crítico da proliferação do inseto: a primavera e o verão, a partir de meados de setembro e outubro. O alerta ganha ainda mais força, uma vez que o município fez um levantamento e detectou que 71% dos imóveis têm potenciais criadouros do mosquito.

De acordo com o chefe da Seção de Ações de Meio Ambiente da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Daniel Tarcinalli, no período entre 1 de março e 9 de junho deste ano, foram vistoriados 78.418 imóveis. Em 1.078 deles, havia larvas (1,3% do total).

Porém, em 55.869 imóveis, foi necessário utilizar o larvicida para eliminar possíveis criadouros do Aedes, ou seja, em 71% havia potenciais criadouros.

Além da visita casa a casa, a Secretaria de Saúde também vistoriou os considerados pontos estratégicos, que são aqueles locais com grande acúmulo de criadouros, como os ferro-velhos. Foram 419 vistorias desse tipo. Em 101 delas, foram encontradas larvas de Aedes. 

Houve ainda 235 vistorias nos chamados “imóveis especiais”, que são para o controle do mosquito em locais onde passam ou permanecem grande número de pessoas, como escolas, universidades, entre outros. 34 desses espaços continham larvas de Aedes aegypti.

Intenso

Agente de saneamento da Vigilância Ambiental de Bauru, Roldão Antônio Puci Neto frisa que a aplicação do larvicida não necessariamente ocorre porque há um criadouro, mas para evitar a proliferação em pontos potenciais e que não estão protegidos, como ralos, por exemplo. Ele diz ainda que as ações de controle do Aedes seguem em todas as regiões da cidade. 

“Encontramos criadouros em todos os bairros. Não dá para dizer que esta ou aquela região está mais suscetível. Nas residências, os principais criadouros são materiais inservíveis, pratos de plantas e ralos”, aponta Roldão.

‘Todos juntos’

Entre fevereiro e maio, e Prefeitura de Bauru realizou mutirões aos sábados pela manhã para vistoriar imóveis, cada semana em uma região da cidade, denominado “Todos Juntos contra o Aedes aegypti”. Ao todo, as equipes visitaram 29.011 imóveis. Destes, 18.057 foram vistoriados, dos quais 383 apresentaram criadouros com larvas (2,1% do total). Outros 10.954 imóveis estavam fechados.

O índice de larvas encontrado está acima do ideal, pontua Roldão. “Um índice considerado aceitável seria na casa de 1%, portanto a quantidade de imóveis em que havia larvas foi acima do ideal. A população precisa manter as ações de combate mesmo durante o outono e o inverno, porque o ritmo de reprodução do inseto diminui, mas não acaba”, declara.

Vale salientar que os ovos depositados pela fêmea do Aedes podem aguentar até um ano mesmo sem água e com temperaturas baixas. Na primeira chuva e com a elevação das temperaturas, eles eclodem e podem desencadear uma infestação do mosquito e consequentemente a transmissão das doenças.

1.297

A Prefeitura de Bauru confirmou na última terça-feira mais 151 casos autóctones de dengue, totalizando 1.297 registros da doença neste ano na cidade. Destes, 1.265 foram contraídos em Bauru e 32 são importados. Houve registro de dengue em praticamente todos os bairros.

O município contabiliza ainda quatro casos de zika vírus, todos em mulheres grávidas, que residem em bairros como Pousada da Esperança, Jardim Godoy e Ferradura Mirim, ou seja, em regiões distantes entre si. Nesta semana, as equipes de agentes de endemias atuaram nos bairros Ferradura Mirim, Geisel, Jardim Chapadão e Bela Vista. “As ações permanecem em todas as regiões de Bauru, com visitas casa a casa”, menciona Roldão Puci Neto, da Vigilância Ambiental.

Você sabia

O Aedes aegypti transmite quatro doenças conhecidas até o momento (dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela). Outra curiosidade é que as variantes da dengue têm capacidade de deixar uma mesma pessoa doente por até quatro vezes.

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