| Malavolta Jr. |
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| Lindão é um homem multitarefa: caminhoneiro-carreteiro, torneiro mecânico, mecânico ajustador, mecânico de motores e câmbios, especialista na construção, readequação e transformações de veículos automotores como motocicletas, triciclos, carros, jeeps, caminhões... |
O seu estilo de vida é o motociclismo. Seja na estrada sentindo o vento no rosto ou construindo as motos em sua oficina especializada. O personagem da Entrevista da Semana de hoje é José Horácio Porto, conhecido como Lindão.
Aos 58 anos, ele tem muitas histórias para contar. A maior parte delas tem a estrada como cenário. Não só com as motos, mas também com o caminhão Feneme, uma relíquia que o levou Brasil afora por 28 anos e deu a ele o apelido.
Lindão é um homem multitarefa: caminhoneiro-carreteiro, torneiro mecânico, mecânico ajustador, mecânico de motores e câmbios, especialista na construção, readequação e transformações de veículos automotores como motocicletas, triciclos, carros, jeeps, caminhões...
Mas sua paixão é o motociclismo. Ele é diretor regional (em Bauru) do Abutre’s do Brasil, o maior motoclube da América Latina e o segundo maior do mundo. Seu dom para a construção de máquinas já rendeu diversas entrevistas em publicações especializadas no Brasil e em países como França, Alemanha e Estados Unidos.
Com o corpo coberto por tatuagens, Lindão tem a fama de ser marrento, de pouca conversa, homem sério, porém muito dedicado e respeitado no motociclismo, focado na melhoria da imagem do motociclismo no País.
Jornal da Cidade - Quantas máquinas você já fez?
José Horácio Porto (Lindão) – Eu já construí mais de 30 motos e perdi a conta de quantas eu customizei. Não há um trabalho que seja o meu preferido. O que eu gosto é de construir. Depois de pronto, o trabalho perde a graça. Aí eu vendo e já quero fazer outra máquina. Em média, levo seis meses para fazer uma motocicleta. Mas isso depende. Algumas eu levei até seis anos. Eu gosto de modelos vintage, veículos antigos. A máquina tem a cara vintage, mas com a mecânica moderna. Esse é o meu segredo.
JC - Você as fabrica por encomenda?
Lindão – A maioria eu faço para mim, mas acabo comercializando (risos) porque quero vender o veículo pronto. Agora estou trabalhando na produção artesanal de uma carro nostálgico de três rodas, que utiliza um motor Harley Davidson de dois cilindros, uma réplica da década de 1940. Sempre tive o dom de mexer com motos e, há uns 15 anos, decidi montar minha oficina. Sempre lidando com motocicletas e triciclos: fabricação, adaptação, customização...
JC – Para quais localidades suas obras já foram?
Lindão – Eu tenho clientes de várias partes do mundo, inclusive. Já vendi moto para a França, Rússia, Alemanha... Eu sou bastante conhecido no meio. E o meu trabalho vai sendo passado de boca a boca. Eu também tinha um site, mas acabei tirando do ar já há um tempo.
JC – Você nasceu em São Paulo. Quais caminhos o trouxeram a Bauru?
Lindão – Minha esposa Neusa me trouxe para Bauru. Ela é o foco de tudo. Eu estou em Bauru desde 1978. A Neusa é de Jacuba, eu gostei na cidade e viemos morar em Bauru.
JC – Você já teve outra profissão?
Lindão – Eu fui caminhoneiro durante muito tempo. Foram 28 anos de carreta nas estradas.
JC – Foram muitas as histórias com os caminhões nas estradas?
Lindão – Ah, tem hora que você passa até fome, e com dinheiro no bolso. Exemplo é quando o caminhão quebra no meio do nada e você fica no acostamento. Eu tive Feneme, um caminhão pitoresco. Em uma manhã, lá pelo fundão de Minas Gerais, um moleque me falou que meu caminhão era bom para juntar porcos. Eu perguntei o porquê e ele imitou o som do caminhão (risos). O Feneme faz um barulho bem grande mesmo. Mas eu rodei o Brasil todo e também andei pela Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai com ele.
JC – Quando nasceu a sua história com a motocicleta?
Lindão – Nasceu comigo. Minha mãe já me fez com a motocicleta dentro de mim. Conquistei minha primeira moto em 1969, uma Leonete cinquentinha. Eu já tive mais de cem motos. Hoje tenho uma Harley Davidson. O modelo é novo, mas eu a transformei em vintage. Parece uma moto de 1940.
JC – Você é integrante do motoclube Abutre’s, certo?
Lindão – Eu sou o diretor regional (em Bauru) do Abutre’s do Brasil, o maior motoclube da América Latina e o segundo maior do mundo. Hoje somos cerca de oito mil membros distribuídos por todo o Brasil e países como Argentina, Espanha, Portugal e Japão.
JC – Pegar a estrada é um estilo de vida?
Lindão – Pertencer a um motoclube é um estilo de vida. A gente curte os passeios, faz churrasco. Sou apaixonado por tomar vento na cara e fazer amigos por aí. Eu não me vejo longe da moto. Eu sou isso que você está vendo.
JC – Por quais caminhos você já andou sobre duas rodas?
Lindão – Eu rodei do Oiapoque ao Chuí de motocicleta. Fiz o percurso em várias etapas. E pensa que a gente dorme em hotel? A gente para as motos e dorme nas calçadas mesmo (risos). Quando pego uma estrada eu não penso em mais nada. Só olho para a frente e toco, sentindo o vento.
JC – Por que o José Horácio é chamado de Lindão?
Lindão – Esta é uma história que veio do caminhão. Eu gosto dessa história. Eu estava com o caminhão carregado na Vila Maria, em São Paulo, quando um pintor de para-choques perguntou se eu queria pintar alguma coisa no meu Feneme. Eu disse que não precisava porque ele já estava enfeitado, mas ele me convenceu dizendo que pintaria aquele “lindão”. E escreveu “lindão” no caminhão. E o pessoal começou a me chamar assim. É como se eu tivesse me autoapelidado. Mas o apelido pegou mesmo em Apucarana, no Paraná, onde alguns amigos começaram a me chamar de “Lindão”. O engraçado é que eu não me importei e o apelido pegou mesmo assim. Dizem que só pega quando a pessoa não gosta (risos).
JC – Qual é o sonho do Lindão?
Lindão – Meu sonho é viver até os 90 anos para poder passar mais tempo sobre a moto.
JC – Como você se define?
Lindão – Ainda não parei para pensar sobre isso. Acho que vou ter que ir lá para o Tibete fazer uma viagem mística para ver quem eu sou (risos).
