Quem dispor de algum tempo, veja as sessões de impeachment da presidente Dilma, no Senado. Aliás, na Câmara dos Deputados já foi assim: total indiferença quanto ao julgamento. Nada de prestar atenção naquilo que vão julgar. A ré já está condenada por antecipação e total negligência dos que lá estão para representar o povo, ou melhor dizendo, parte do povo. Ela é acusada de crime de responsabilidade fiscal por uma onda de parlamentares corruptos que precipitaram sobre seus possíveis equívocos governamentais.
Mas por que equívocos de governo? Ela não sabia o que assinava? – Pois é! É quase isso mesmo. A coisa é intrincada, embaraçada e confusa ao extremo. E tanto na Câmara quanto no Senado, nem todos, ou melhor dizendo, a grande maioria não são doutos em nada. Ou, também, os que se dizem ser podem ter comprado diplomas e títulos honoríficos. Enfim, precisam marcar bem suas personalidades diante do leitor quase sempre destituído de boa formação escolar, quase sempre, ou eu diria, sempre por motivos justos e plausíveis. Não se pode qualificar um bom eleitor àquele que tira o chapéu de trabalhador e diz: “Pode contar comigo e minha família, doutor”. Pior: o eleitor malandro que achava o candidato com promessas vãs, pois não vai cumpri-las mesmo, mas recebe em espécie “algum” para a picanha de domingo, na laje ou noutro canto qualquer, mas forrados de “latinhas” e etílicos mais em conta.
Numa dessas sessões, o plenário quase vazio, pois os favoráveis ao impeachment se ausentam quando a testemunha é da defesa (não interessam ouvir sobre o que já julgaram mesmo sem conhecimento), entra um senador renomado, mas bem etilizado, pede a palavra e, sem fazer perguntas, se empolga e envereda por caminhos alheios ao assunto. De modo grosseiro e irresponsável, depois de ser advertido pelo presidente, encerra seu discurso: “De nada adianta tanta conversa... Nós já decidimos... Pra que perder tempo num julgamento já decido! A presidente já está fora...”
Sim, a Dilma está fora. E seu julgamento foi um julgamento anunciado, premeditado, torpe, e, pior de tudo: condenada por um grupo enriquecido pela corrupção alastrada pelo País afora. Precisamos urgente entender o que seja República Democrática ou então arrumemos um modelo novo para servir como governo que o povo brasileiro merece. Assim, como está, nada resplandece nesta Pátria amada.