Gostaria de compartilhar com os leitores neste democrático espaço algumas considerações sobre o Bauru Basket. Falo como amante da bola laranja e torcedor. Primeiramente, quero agradecer ao Grupo Paschoalotto por ter investido no esporte olímpico, algo raro neste País, que nada investe nos atletas, mas cobra medalhas de poucos abnegados a cada quatro anos. Sei que a crise bateu forte em todos e obviamente a empresa tem que zelar pelo seu objetivo principal que é permanecer aberta, gerando empregos e para tanto tem que cortar gastos e, infelizmente, neste caso sobrou para o basquete. Mas o trabalho foi bem feito e isso é louvável.
Não quero e não acho certo que o poder público dê um real para o esporte de elite. Acho que a obrigação da prefeitura é zelar pela saúde e educação, lazer e demais responsabilidades para com os munícipes. Contudo, creio que o poder público no quesito lazer mostrou-se ausente e incompetente em um aspecto, por não ter um ginásio digno em uma cidade do porte da nossa, deixando os moradores e torcedores na mão novamente, deixando de auferir lucros com ele.
Ademais, o ginásio seria útil não apenas para o basquete, mas para os times de vôlei, futsal e ainda para uso da população quando este não estiver sendo utilizado em épocas de férias. Assim, que a prefeitura não dê um real para time algum, mas se empenhe politicamente na construção de um local condizente com o tamanho da cidade. Isso é lazer. E isso é obrigação do poder público. Apenas um ginásio digno que cidade menores têm e Bauru não.
Assim, espero que os empresários de nossa cidade se empenhem em não deixar esse time acabar como aconteceu com a saída da Tilibra, ou quando seu Damião saiu do Noroeste. Ou ainda que ele fique como um zumbi fraco e apenas entre para cumprir tabela, pois essa não é a vocação deste time. Acredito que o patrocínio máster poucas empresas podem suportar. Mas penso que esse valor dividido por várias empresas poderia ser facilmente conseguido, com empenho e o mínimo de boa vontade.
Lembro que Bauru é uma cidade sofrida e muitas vezes ganha destaque na mídia apenas por fatos negativos. O Basquete de Bauru, pelo contrário, nos trouxe orgulho. Levou nosso nome de maneira digna e honrada para todos os cantos do mundo. Ganhou títulos, perdeu outros, mas enfrentou de igual para igual potências do esporte. Jogou duas finais de NBB contra um clube midiático com mais de 35 milhões de torcedores e uma força nos bastidores condizente com seu tamanho, como ficou evidenciado no jogo 3 das finais. Disputou um mundial contra o Real Madrid, um dos times mais ricos, vencedores e famosos do mundo, ganhando uma partida e colocando a cidade em evidência na Europa, por vencer o campeão europeu. Disputou jogos contra times da NBA jogando em Nova York, num dos templos do esporte da bola laranja. Cedeu jogadores para as Olímpiadas, ou seja, elevou o nome de nossa cidade a um patamar jamais alcançado.
E, por fim, que não se deixe o sonho morrer. Sonho esse de torcedores comuns como eu, ou como os fanáticos da torcida Fúria ou da Loucos da Central, que vão para todos os lugares incentivar o time na paz, respeitando o adversário, como deve ser, e dando show nas arquibancadas. Ou ainda por um torcedor especial, como o Tiago, que tem um amor pelo clube tão grande que o faz enxergar com os olhos do coração. Por tudo isso, espero que os empresários daqui possam suprir essa saída do Paschoalotto, pois não queremos que essa carruagem volte e ser uma abóbora, como ocorreu tempos atrás, deixando a cidade órfã e, certamente, muito mais triste.