| Junior Esteves/Divulgação |
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| Nome Popular: Saí-andorinha; Nome científico: Tersina viridis; Foto feita na região do Jardim Botânico |
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| Emílio Galhardo, um dos integrantes do projeto “Aves raras de Bauru” |
Um grupo de amantes da natureza e da fotografia se uniu para retratar as espécies de aves presentes nas áreas urbanas e rurais do município. Inciativa deve virar um livro voltado para a educação ambiental no próximo semestre: “Aves raras de Bauru”, com fundos do Zoo voltados para a educação ambiental.
A ideia nasceu quando o diretor do Zoo, Luiz Pires, passou a acompanhar pessoas de Bauru que fotografam aves. “Conversando com o prefeito Rodrigo Agostinho, descobri que ele tinha um compilamento de muitos trabalhos publicados ao longo dos anos sobre aves avistadas em Bauru. Conversei com alguns caras que já estavam fotografando as aves e o grupo foi montado em janeiro deste ano. Hoje somos em seis mais atuantes, mas o grupo começou maior”, resume.
O levantamento atualizado por Agostinho contém cerca de 300 aves. Até o momento, o grupo já fotografou mais de 200 delas. Após a publicação, o livro deverá ser um guia de identificação das aves que habitam Bauru, com suas principais características, além de todas as áreas verdes que ainda existem na área rural e urbana do município e a importância de mantê-las preservadas.
Os exemplares serão distribuídos para as bibliotecas e escolas de Bauru. Depois da publicação, uma página será aberta no facebook para que os interessados também possam ter acesso às fotos e informações de qualquer parte do mundo.
Para o prefeito, o livro será mais do que um guia, será uma construção coletiva para mostrar o que sobrou da fauna e flora de Bauru. “Será um material educativo, um projeto que deverá ter continuidade. Estamos redescobrindo algumas espécies que um dia alguém viu por aqui”, ressalta Agostinho.
“Eu esperava que o levantamento não fosse apontar mais do que 200 espécies. Estou surpreso. Nossa ideia é que as pessoas conheçam esses animais e se atentem mais para a necessidade de preservação. Queremos sensibilizar a população a esse respeito”, defende Luiz.
O Bosque da Comunidade, do Geisel, do Parque União e demais áreas verdes de Bauru são usadas muitas vezes apenas para caminhada. Segundo Luiz, se as pessoas souberem que há esses animais nessas áreas, elas passarão a contemplar, a olhar para eles e identificá-los.
Regiões
O livro trará Bauru dividida em cinco regiões: centro, norte, sul, leste e oeste. “Algumas espécies não terão a localização identificada por serem alvos de caçadores, infelizmente. O curió é um exemplo. Outras aves que no passado eram abundantes em qualquer quintal e que hoje são raras por causa da caça: pintassilgo, sangrinho ou tico-tico-rei”, enumera o diretor do Zoo.
As aves fotografadas são espécies típicas do cerrado (a grande maioria) que ainda conseguem se manter mesmo com a pressão do desmatamento e ocupação. A ideia do grupo é fazer outras edições, com outros animais, mais tarde. E o que fazer para preservar e atrair os pássaros? “Plantar árvores, preservar árvores e plantar árvores”, finaliza Luiz Pires.
Mais de 300 espécies já foram vistas no céu e áreas urbanas e rurais de Bauru
Todos os envolvidos no projeto do livro “Aves raras de Bauru” têm a fotografia como paixão e hobby. Normalmente, o tempo dedicado às fotos vem dos fins de semana. No caso do projeto, em específico, o amor pela natureza e o desejo de preservação e educação ambiental unem os integrantes.
Emílio Carlos Galhardo é químico e responsável técnico em laboratório de análise de meio ambiente. E também foi professor de curso técnico em meio ambiente no Senac. Ele vê o projeto do livro como uma ferramenta excelente para o estudo da questão ambiental.
Nossa região é rica com a transição de biomas que temos: cerrado e mata atlântica. Eu esperava ter facilidade em fotografar algumas espécies que habitaram abundantemente a região, com o sabiá-laranjeira, espécie que está ficando bastante rara em nossa área urbana, infelizmente”, narra.
A história de Emílio com a fotografia teve início em 1990. Com a fotografia de aves ele se envolveu há quatro anos. Outro integrante do grupo é o empresário Vantonio Prado, dono de uma pequena construtora, que passou a fotografar aves há alguns anos inspirado em uma foto da então fotojornalista do Jornal da Cidade, Neide Carlos.
“Mas minha história com a fotografia de natureza vem desde 1981. Parei por alguns anos enquanto eu e minha esposa construíamos nossa família, e voltei a fotografar há uns 15 anos.”
Vantonio comenta que aceitou o convite para participar do livro pelos fins educativos e ambientais do projeto. “Visamos proteger o pouco das reservas que ainda temos em Bauru e precisamos mostrar a relevância disso para a sociedade”, reforça.
Paixão pela fotografia de natureza e desejo de preservação unem grupo
Nasci vendo meu pai fotografar com uma Flexaret, da antiga Tchecoslováquia. Também via meu primo Sílvio Serrano viajando o mundo pela fotografia e, além disso, sempre fui um apaixonado pela revista National Geographic. Assim, comecei a fotografar a fauna e a flora em 1987/1988. É minha paixão. Meu sonho é viver disso”, comenta o web designer e fotógrafo Júnior Esteves.
Júnior revela que dedica cerca de oito horas semanais para fotografar as aves e eu já fez parte de outros grupos de fotografia de natureza.
Quem fotografava animais e plantas também há muitos anos, no caso desde a infância, é o corretor de seguros Antônio Carlos Pavanato. “Eu não gosto de fotografar pessoas, tanto que minha família até reclama”, brinca.
Pavanato une a paixão pela natureza e fotografia com as corridas e pedaladas, por onde pode. “Tenho casa em Bonito, no Mato Grosso do Sul. Sempre que posso vou fotografar. Além disso, pedalo e corro com minha esposa. Já fizemos isso no Atacama (Chile), Pantanal... Sempre com máquinas fotográficas junto, amadoras ou profissionais. Sempre que posso também faço cursos para me aprimorar, afinal, fotografar não é só ter uma máquina nas mãos”, finaliza.

