Esportes

Bauru Basket vai ter que renegociar jogadores

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Alex Mita
"Temos de tentar recompor de alguma maneira que a gente não os perca. Se estes jogadores forem ao mercado, seguramente têm opções" Vítor Jacob - Gestor do time

A saída da Paschoalotto Serviços Financeiros da condição de patrocinador master vai causar uma readequação orçamentária no Bauru Basket que vai impactar fortemente e de maneira imediata no time. O gestor da equipe bauruense, Vítor Jacob, revelou, ontem, que o Bauru passará por uma reestruturação e haverá reformulação no atual elenco, com a rescisão de contratos de todos os jogadores com vínculo. A intenção é a recontratação imediata da base da equipe e a tendência é que o Bauru faça proposta com redução salarial. Renovação de contratos e obtenção de reforços estão em um segundo plano no momento.

A saída da Paschoalotto ocasionou corte drástico no orçamento do Bauru Basket. Consequentemente, os jogadores que têm contrato, caso dos alas Alex Garcia, Léo Meindl, armador Ricardo Fischer, ala/pivô Jefferson William e pivô Rafael Hettsheimeir, peças importantes na base da equipe, devem ter seus contratos rescindidos e negociações serão abertas, posteriormente, para novo vínculo. Traduzindo, os atletas estarão livres no mercado e o Bauru Basket vai enfrentar concorrência de outros times para ficar com eles.

“Durante esta semana, a Paschoalotto vai conversar individualmente com cada um e provavelmente fazer a rescisão. A partir da rescisão, temos o interesse de recontratar os principais jogadores”, explica Jacob. Para garantir que as estrelas fiquem em Bauru, a diretoria aposta no desejo de permanência dos atletas e traça a estratégia em relação a eles. “Os jogadores têm interesse em ficar. A ideia é começar a garantir estes principais jogadores e aí o nível global da equipe vai depender do aporte que tivermos para trazer mais gente para revezamento”, expõe Jacob.

A diretoria tem total consciência de que o assédio em cima de jogadores com nível de seleção brasileira vai ser grande. “Temos que tentar compor de alguma maneira que a gente não os perca. Se estes jogadores foram para o mercado, seguramente têm opções”, observa Jacob. Apesar da prioridade de segurar os atletas na cidade, o Bauru admite que deve haver redução salarial. “É o que vai acontecer. Mas todos os times estão passando por isso. O Flamengo vai passar por isso, o Vasco está vindo para o mercado parece com estardalhaço, mas dentro de uma normalidade. Não tem nenhum time investindo mais do que investiu”, pondera Jacob.

As negociações também vão ocorrer com os jogadores do Bauru que têm contratos vencidos, casos do ala Robert Day, armador Paulinho Boracini e pivô Murilo, todos com propostas de outros clubes – o pivô Labbate foi liberado. “Precisamos entender nosso orçamento e junto com a comissão técnica a montagem do nosso elenco”, argumenta o gestor. O técnico Demétrius Ferracciú já tem contrato acertado para mais uma temporada.

Reforços

Com a nova realidade financeira do Bauru Basket, a busca de reforços foi relegada ao segundo plano. Especulações dão conta de que haveria interesse no pivô Rafael Mineiro (Flamengo) e Henrique Coelho (Minas). Porém, segundo Jacob, o assunto só será discutido após definição do orçamento. “Não teve nenhuma conversa com jogadores, temos que esperar. Não tem o que fazer enquanto não soubermos o orçamento que vamos ter e os jogadores que teremos disponíveis do nosso elenco”, conclui.

Paulista vai com sub-19

Com a indefinição orçamentária, o Bauru Basket reforça uma estratégia já previamente traçada pela diretoria e comissão técnica: a de iniciar a disputa do Campeonato Paulista com uma equipe “alternativa”, formada principalmente pela base e com alguns reforços do time principal.

“Independentemente de ter ocorrido a rescisão da Paschoalotto com a gente, não tínhamos condição de começar o Paulista com a equipe principal. O campeonato começa em julho e os jogadores que jogaram a final do NBB voltam de férias no dia 15 de julho. Precisam de uma pré-temporada. Fora os jogadores que estão na seleção e o (técnico) Demétrius, que também está na seleção”, aponta o gestor Vítor Jacob.

“Vamos jogar a primeira fase com o sub-19, reforçado do Léo Eltink e do Wesley Sena”, projeta. “A ideia é disputar o Paulista com o melhor time possível, mas sem prejudicar uma preparação para o NBB e Liga das Américas. Se conseguirmos reforços que não tenham compromisso com a seleção, eles já vão entrando na equipe”, destaca Jacob.

Novos parceiros e cotas

A saída da Paschoalotto e o enxugamento de receita no Bauru Basket aceleram a busca por novos parceiros para o projeto. O time aguarda resposta da Claro para proposta de patrocínio master. “Várias etapas foram cumpridas e a proposta está lá. Não tivemos retorno positivo e nem negativo. Pode sair a qualquer momento, tanto positivo quanto negativo”, explica Vítor Jacob. O Bauru Basket trabalha também para mudar o perfil de patrocínio master, dividindo o aporte em cotas menores. “Entendemos que é muito difícil uma empresa só investir o que a Paschoalotto investia. Vamos tentar dividir em duas ou três cotas master”, aponta Jacob. “Com a saída da Paschoalotto do patrocínio master, perdemos 60% do nosso orçamento. Continuamos com os outros 40% e estamos negociando aumento na renovação das outras cotas de patrocínio”, acrescenta o gestor.

Mudanças no comando

O mandato da atual diretoria executiva do time acaba no final deste mês. Portanto, o time passará por mudanças no comando, tanto da diretoria executiva quanto do comitê gestor.

Comentários

Comentários