Tribuna do Leitor

Os ?campinhos?

Luís Henrique Rafael - Desembargador federal do Trabalho - Tribunal Regiona
| Tempo de leitura: 1 min

Foi um verdadeiro golaço do jornalista Nélson Gonçalves! Quem teve a felicidade de ler o JC do último domingo com certeza relembrou bons momentos da infância nos “campinhos” espalhados pelos bairros de Bauru. No meu caso, nascido na Vila Cardia, acompanhei as mudanças de meu pai em direção ao Higienópolis e posteriormente para o Jardim Brasil.


Nesse caminho foram vários “campinhos”: o da “Jauense” (ao lado do Cemitério da Saudade, na Cardia), depois os “campinhos” atrás do Jornal da Cidade, outro ao lado da “Reunidas”, o campo do Jardim Brasil e também o “campinho das Pedras”, na Vila Perroca. Como bem destacado na bela reportagem, haviam regras fixas e imutáveis, muito parecidas com aquelas sobre o dono da bola, do 5 vira e 10 acaba, do perna de pau ir para o gol etc. Quem não aceitasse as regras não jogava e pronto.


Todavia, a vida moderna acabou com esses “campinhos”, sob o argumento do desenvolvimento, da urbanização, enfim, a cidade cresceu e seus meninos, como os da reportagem, foram ficando sem o local das “peladas”. São raros os campinhos em Bauru. Ah, ia me esquecendo da bola. Sim, a bola de capotão em que meu saudoso pai Miguel Rafael passava sebo e às vezes costurava para o dia do jogo. Talvez fosse o momento de se repensar a direção que a nossa cidade está tomando, não para impedir o natural crescimento urbano, mas para dar mais uma chance aos meninos de bairros distantes, que não podem frequentar clubes de lazer e escolas estruturadas, a fim de que eles possam jogar bola em “campinhos” e talvez acertar a grande jogada da vida!

Atenciosamente.

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