Nacional

Cunha acusa ex-ministro Jaques Wagner

Débora Álvares, Ranier Bragon e Daniela Lima
| Tempo de leitura: 2 min

Em pronunciamento e entrevista de cerca de duas horas nessa terça-feira (21), o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusou o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner (PT) de oferecer uma barganha para salvar Dilma Rousseff do impeachment.

Em uma fala em que disparou críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e, de forma indireta, aos ministros do Supremo Tribunal Federal, Cunha voltou a negar que irá renunciar ou fechar delação com a Justiça.

Afastado do cargo e do mandato por decisão unânime do STF e com um pedido de prisão feito pela Procuradoria, Cunha convocou uma entrevista coletiva em hotel no centro de Brasília.

Após fazer um longo relato sobre os motivos que em sua visão levaram ao rompimento com o governo Dilma, o deputado afastado disse que Wagner ofereceu a ele, em três encontros, dar os votos do PT para enterrar seu processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.

Em troca, diz, o então ministro pediu que ele não desse sequência ao pedido de impeachment. “Nos três encontros o Jaques ofereceu os votos do PT no conselho, e disse ainda que não teria presença da minha mulher e minha filha (na investigação sobre o petrolão)”, disse Cunha. Wagner disse que o deputado mente.

Nos últimos meses do ano passado, o peemedebista tentou fechar um acordo com o governo e o PT para escapar da cassação, mas não houve acerto. Com isso, ele autorizou a tramitação do pedido de impeachment.

Segundo Cunha, os encontros com Wagner se deram na residência oficial da presidência da Câmara, na Base Aérea de Brasília e no Palácio do Jaburu, a pedido do hoje presidente interino, Michel Temer (PMDB). Cunha disse, porém, que Temer não participou da conversa e nem quis saber o teor do encontro.

Além de dizer que o processo contra ele no Conselho está cercado de “nulidades”, Cunha voltou a repetir que não mentiu ao omitir recursos no Exterior. Disse ainda que se tornou alvo de uma série de ameaças, incluindo “ameaças de morte” desde que aceitou o pedido de afastamento da petista. E voltou a dizer que Janot age com seletividade.

Sobre ministros do STF, Cunha reclamou que demandas suas não são julgadas com a celeridade devida e que deveria ser dado ao plenário da Câmara a palavra final sobre seu afastamento do cargo e do mandato. Cunha afirmou ainda que não tem “o que delatar”. “Não tenho crime praticado”, concluiu.

O peemedebista também disse que não pretende renunciar ao cargo de presidente da Câmara. “Como vocês viram, eu não renunciei”, ironizou.

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