Ao ler a versão digital do Jornal da Cidade entre os treinos da Seleção Brasileira Feminina de Basquete, aqui em Campinas, tive uma grata surpresa ao ver que a Câmara Municipal de Bauru planeja uma homenagem a Nicola Avallone Júnior, o Nicolina. Ex-prefeito da cidade na década de 1950 e ex-deputado estadual, esse foi um homem bem à frente de seu tempo e que poderá ser homenageado tendo o viaduto que une a Bela Vista à Vila Falcão, até então dito inacabado, batizado com a sua memória. Em uma década em que a gestão de uma cidade era completamente diferente do que se vivencia hoje, ele conseguiu transformar uma pacata Bauru em uma cidade símbolo de uma época. Nas ruas, não havia uma pessoa que não o conhecesse: era popular, aclamado nas periferiais e prático na viabilização de seus projetos.
E olhem só que oportuno: o ex-prefeito que hoje quase é nome de viaduto já fora conhecido por ter levantado as mangas, captado recursos, e construído o Viaduto JK, aquele que hoje une a Bela Vista ao centro da cidade pela rua Azarias Leite. Na mesma região, Nicolinha inovou ao construir aquela que viria a ser a primeira escola infantil municipal de uma sequência de que passaria de dez espalhadas pela cidade.
Quem passa por Bauru sempre vai ouvir falar da avenida Nações Unidas. Pois bem, foi no mandato de Nicolinha que tudo começou com a canalização do ribeirão e a pavimentação do primeiro trecho que passou a ligar a Vila Antártica até a avenida Rodrigues Alves. Um mutirão de pessoas e construtoras foi montado na época, dando início ao que hoje é um dos principais símbolos da cidade.
Quem nunca ouviu falar do lendário Bauru Atlético Clube, o BAC? Em 1951, sob a tutela de Nicolinha, aparecia o Esquadrão da Primavera com vitórias consagradoras. Aliado ao esporte, muita cultura e lazer. Esses foram os anos em que os artistas mais populares do país passaram por Bauru, como Emilinha Borba, Marlene e Angela Maria.
Não à toa em apenas três anos de mandato Nicolinha foi homenageado entre os dez prefeitos mais dinâmicos de todo o país. Motivos mais do que suficientes para ele apostar e lançar um slogan “Bauru, Cidade Sem Limites”, a partir de uma publicação no jornal Diário de Bauru, que ele também coordenava na época. Marca que perpassa o tempo e hoje é uma espécie de estandarte de uma cidade que não pode parar no tempo.
Bauru acerta ao prestar homenagem a Nicolinha. E tudo isso digo não pelo laço familiar que nos une (tenho a honra de ser seu sobrinho), mas sim como um cidadão bauruense das antigas que aprecia ver a sua cidade e seus representantes homenagearem aqueles que deram suor e sangue para impulsionar as suas raízes.