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Por dia, 140 aviões cruzam o céu de Bauru e região

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
O estudo indica que, em 2015, o município registrou 50.835 movimentações

Quem olha para o céu de Bauru, calmo e quase sempre azul, pode não imaginar, mas, por cima de nossas cabeças, passam diariamente, em média, 140 aeronaves, incluindo aquelas que apenas sobrevoam o município, ou seja, não decolam nem aterrissam por aqui. O dado foi obtido junto ao Departamento de Controle do Tráfego Aéreo (Decea) da TMA Bauru, sigla que representa o órgão de controle do terminal aéreo regional.

O estudo indica que, em 2015, o município registrou 50.835 movimentações (veja mais no quadro do final). O número colocou Bauru como a 17.ª região do País com maior tráfego aéreo, no ano passado. Fica à frente até mesmo das TMAs de Capitais mais movimentadas do País, como Florianópolis e Maceió.

Apesar de ainda intensa, a movimentação, é inferior a registrada em 2014, quando o tráfego aéreo chegou a 62.689. Na época, a TMA Bauru aparecia como a 16.ª mais movimentada do Brasil. As informações constam no Anuário Estatístico de Tráfego Aéreo, publicado pelo Decea em abril deste ano.

Contexto

Composta por uma zona com limites invisíveis fisicamente, mas claramente delimitada nos radares, a TMA Bauru é responsável por três unidades aeroviárias: o Aeroclube de Bauru, o Aeroporto Estadual de Bauru-Arealva “Moussa Nakhl Tobias” e o Aeroporto Estadual “Frank Miloye Milenkovich”, de Marília.

Além desses, a TMA de Bauru conta com mais 23 aeródromos que operam em regras de voo visual (sem instrumentação), dos quais se destacam o de um frigorífico e de um quartel do Exército na cidade de Lins, o de uma usina de cana em Lençóis Paulista e o de uma faculdade de ensino em Marília (SBML). Todos eles com suas próprias aeronaves.

De onde e para onde?

Segundo o Centro de Comunicação Social da Força Aérea Brasileira (FAB), a TMA Bauru registra “quantidade expressiva de voos oriundos do Estado do Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina”.

Só o Aeroclube de Bauru, por exemplo, foi responsável por 11.588 pousos e decolagens, em 2015. Quase todos os voos recebidos eram de aeródromos contidos no Estado de São Paulo. O número também contempla os voos da Base da Polícia Militar (PM) do Estado, que atua com o Helicóptero Águia.

Voos de transporte de valores e aeromédico, vinculados ao Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) da USP, entre outros, chegaram e partiram também do Aeroclube.

Transporte de quê?

A Força Aérea Brasileira  destaca ainda que calçados, roupas, artigos farmacêuticos, eletrônicos, documentos e encomendas em geral estão entre os principais produtos transportados nos voos que chegam e partem de Bauru.

Os voos de passageiros, por sua vez, são variados. “Há viagens a negócios, tratamentos médicos, principalmente no Hospital Centrinho, pessoas da cidade e região em viagem a passeio”, diz a FAB.

Em números

Para se ter ideia, só o Aeroporto Moussa Tobias registrou movimento de  143.015 passageiros em 2015 e de 157.848 passageiros em 2014.

Já os voos de cargas somaram 1.502.064 quilos em 2015. O número é bem maior do que o registrado no Aeroporto Estadual de Marília: 70.899 em 2015. As cargas por lá chegaram a 754.837 quilos em 2015.

Principais aeronaves

Além das aeronaves comerciais, A319 e ATR72, que operam com regularidade na região de Bauru, outras dezenas de modelos sobrevoam os céus da cidade e região. Entre elas: os aviões AS50, AS65, B06, B350, B407, B429, B430, BE20, BE33, BE35, BE36, BE40, BE55, BE58, BE9L, além de alguns jatos, aviões de treinamento, os chamados tucanos C130, C150, C152, C170, C172, C180, C182, C190, C192, C200, C205, C206, C208, C210, C240, C25A, C25B, C25C, C25S, C25X. Há também a movimentação de ultraleves, planadores e até de jatos interatlânticos.

Época áurea

Ex-diretor do Aeroclube de Bauru, Mário Bevilacqua, conhecedor da época áurea da aviação na cidade (entre as décadas de 40 e 60), não demonstrou surpresa frente aos números citados na reportagem.

“O posto de controle de tráfego aéreo de Bauru foi um dos primeiros no Paí. Na época da Panair do Brasil (companhia aérea pioneira), dávamos apoio ao correio aéreo nacional. A cidade era ponto de parada, ou seja, muitos viajantes paravam para almoçar aqui. Éramos rota da linha principal que ligava a Capital da República, na época o Rio de Janeiro, a São Paulo, Três Lagoas, Campo Grande, Corumbá, Cuiabá. Esses aviões todos pousavam aqui”, conta Bevilacqua.

“O movimento subiu, mas depois também caiu bastante de uns anos para cá”, avalia. Hoje, ele relata que acompanha a movimentação do espaço aéreo da cidade e da região por meio de um programa no celular, que mostra em tempo real, via satélite, a posição e modelo dos aviões.

Você sabia?

O Aeroclube de Bauru foi fundado em 1945, mas funciona desde 1939. Chegou a ser considerado o principal aeroclube do País. A cidade chegou a receber cerca de 30 aviões da FAB para treino de pilotos que participariam da 2.º Guerra Mundial.

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